CEO da Qantas dá polegares para cima ao Airbus A220, mas reclama do preço

Boeing 717 da Qantas será substituído em breve – Foto Eugene Butler (CC)

Na terça-feira, 29, Alan Joyce, CEO da Qantas, estava entre os convidados a bordo de um A220-300 com as cores da airBaltic que está faz um tour por sete países da região da Ásia-Pacífico. Com seu tradicional sorriso no rosto, o executivo parecia encantado pelo novo jato da Airbus, a qual intitulou de uma “aeronave muito boa”.

Depois de um olhar ao redor da cabine, das galleys e dos banheiros durante o voo de pouco mais de uma hora entre Sydney e Canberra, Joyce deu à aeronave os “polegares para cima”. “Para mim, parece um avião muito bom”, disse Joyce aos jornalistas a bordo do voo. “Acho que os passageiros adorariam. Parece muito tranquilo, isso é uma coisa que você percebe. Até os banheiros são grandes.”

Algumas características do jato

Alimentado pelos motores turbofan Pratt & Whitney PW1500G, a família A220 compreende dois modelos – o A220-100 (100-135 assentos) e A220-300 (130-160 assentos).

Atualmente, o A220-100 tem um alcance publicado de 2.950 nm quando configurado com 116 passageiros, enquanto a Airbus lista o alcance do A220-300 em seu site como 3.200nm, com 141 passageiros. No entanto, em maio, a Airbus anunciou que ofereceria um adicional de 450nm de alcance para o A220 a partir do segundo semestre de 2020, graças a um aumento no peso máximo de decolagem (MTOW) de 2,3 toneladas métricas.

Como resultado, o A220-100 teria um alcance de 3.400nm, enquanto o A220-300 teria um alcance de 3.350nm. O MTOW (peso máximo de decolagem) básico do A220-100 aumentaria para 63.1t, de 60.8t atualmente, enquanto que o A220-300 teria um MTOW básico de 69.9t, acima de 67.6t atuais.

Hora de renovar

Joyce disse que a questão da renovação da frota da Qantas foi “uma grande decisão” já que numa empresa desse tamanho “há um monte de atores envolvidos”. Segundo planos atuais, a Qantas deseja tomar uma decisão sobre a substituição de sua frota regional e de narrowbodies em algum momento de 2020.

Nesse quesito, a frota atual da Qantas tem 20 Boeing 717 operados pela Cobham Aviation Services em voos charter e serviços regulares em toda a Austrália. Além disso, a subsidiária Network Aviation, com sede em Perth, tem 17 Fokker 100 usados principalmente em fretamentos na Austrália Ocidental.

Enquanto os 717 têm entre 13 e 17 anos,o s Fokker 100 já passam de 20 anos. Joyce disse que ambos os jatos regionais continuam a ter um bom desempenho. “Em algum momento há um limite para a vida dessas aeronaves e você tem que se planejar para o futuro”, disse Joyce.

Embraer x Airbus

O A220, bem como os E-jet da Embraer, foram os dois tipos de aeronaves em consideração para a troca dos Boeing 717 e Fokker 100. Joyce disse que a avaliação da frota regional da Qantas provavelmente seria realizada juntamente com a substituição de outros 75 Boeing 737-800 da companhia aérea.

Essa avaliação poderia incluir a nova aeronave de médio porte proposta pela Boeing, conhecida em alguns círculos como o 797. Segundo o CEO, pelo menos o material de marketing que a Boeing tornou público, representava uma aeronave ideal para os aeroportos congestionados da capital australiana, bem como alguns nacionais e internacionais servidos atualmente com sua frota 737-800 e A330. No entanto o 797 ainda não passa de uma ideia, aparentemente distante.

VH-NPU QantasLink Fokker 100
Fokker 100 da Qantas

CEO reclamou do preço

Para fechar a conversa, em uma aparente tática de negociação inicial, Joyce disse que teria que haver algum movimento sobre o preço do A220. “O que a Airbus tem que acertar é o preço desta aeronave. Foi fixado um preço muito alto para que possamos comprá-lo”, disse o executivo.

A lista de preços mais recente da Airbus, publicada em 2018, tem o A220-100 sendo vendido por US$ 81 milhões, enquanto o A220-300 teve um preço de lista de US$ 91,5 milhões. De qualquer maneira, as grandes companhias aéreas normalmente recebem descontos nos preços “de etiqueta”. A Airbus, no entanto, parou de publicar o preço de tabela para sua linha de aeronaves comerciais em 2019.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.