CEO da Delta afirma que Skyteam falhou e que vai criar sua própria aliança

Dias antes de anunciar o mega negócio de compra de 20% da LATAM, a Delta deu indícios que pode desistir da Skyteam, segundo as palavras de seu CEO.

Boeing 767 Delta Skyteam
Boeing 767 da Delta nas cores da Skyteam

Em entrevista à Bloomberg e transcrita pelo View From the Wing, o CEO da Delta, Ed Bastian, afirmou que uma das coisas que não tem sido vantajosas no mercado global de linha aérea são as alianças.

“Nós fazemos uma autocrítica, eu acho que a aliança Skyteam não trouxe tanto valor para nossos clientes, e também não trouxe valor para as nossas aéreas membros. Nós iremos fazer um approach muito diferente a partir de agora”, afirmou o CEO.

Aliança não significa um bom casamento

Algo inovador surgido pouco antes da virada do milênio, as alianças aéreas (iniciada pela Star Alliance) foi um meio das companhias aéreas fortalecerem suas parcerias e atraírem clientes que voam pelo mundo, gerando sinergia a partir da combinação das suas redes.

Um dos grandes benefícios para o passageiro é a comodidade de comprar um único bilhete no site da sua empresa aérea nacional e ele incluir trechos operados por outras empresas da aliança, incluindo despacho da bagagem até o destino final e gozando dos seus benefícios no programa de fidelidade como lounges de outras aéreas.

No entanto, com o progresso da aviação, das novas tecnologias e das técnicas avançadas de análise de dados, com modelos estatísticos ficaram mais acurados, as empresas passaram terceirizar serviços e focar no que realmente dá retorno. Isso fez com que as grandes alianças tenham perdido apelo no mercado aéreo em detrimento dos acordos bilaterais, mais objetivos. Esses acordos mais de mais simples execução são o contraponto das grandes alianças, cujas exigências não são poucas.

Ironicamente, Germán Efromovich, um dos ex-chefes da finada Avianca Brasil, afirmou certa vez que o ganho da empresa com a entrada na Star Alliance foi mínimo. E a aliança exigia muito: uniformes, serviço de bordo, rotas e horários que atendessem os outros membros, encarecendo a operação.

Hoje em dia, uma grande parte das pessoas passou a comprar bilhetes através das OTA – Online Travel Agencies, que são os sites como a Decolar ou Kayak. Nesses mercados virtuais, mesmo que as empresas não sejam parceiras, dá pra comprar os voos delas de uma só vez, cumprindo o papel que antes era feito pelas alianças.

The Delta Club

Boeing 747 Delta Skyteam
Boeings 747 da Delta

“Nós vamos fazer isso através de investimentos bilaterais da Delta com os parceiros mais importantes. Nós temos 49% da Virgin Atlantic e 49% da Aeroméxico, que são as mais próximas de nós. Mas também temos investimentos na Air France-KLM, na Korean, na China Eastern e também na GOL” afirmou o Bastian, dois dias antes de anunciar a entrada na Latam.

Com essa lista de aéreas parceiras, a Delta apenas não teria presença na África e Oceania. No continente africano isso pode ser suprido pela Kenya Airways, na qual a Air France-KLM tem participação.

Na Oceania, a Virgin Australia é a opção mais óbvia. O entrave fica por conta da composição acionária da empresa: o grupo Virgin tem apenas 10% de participação ante 20% da Etihad Airways, 20% da Singapore Airlines e 19% do HNA Group – Hainan Airlines.

O CEO conclui que ter essas parceiras é mais valioso porque podem alinhar pontos operacionais e modelos de negócio de forma mais simples. “Como consequência teremos uma influência nestas companhias. Estas empresas querem saber o que a Delta aprendeu sobre eficiência operacional, destreza nos negócios e lucros. E nós queremos saber o que precisa ser feito para conquistar estes mercados locais. No final, apesar de não conseguirmos comprar a empresa como um todo, conseguiremos ter uma parcela de investimento e direito a voto para criar um network internacional de companhias, que será unicamente ligado por ter a Delta como peça principal. Este é o nosso objetivo”, afirmou o chefão.

A Skyteam foi fundada em 2000 pela Delta, Aeroméxico, Air France e Korean Air. Com a influência das suas fundadoras, a aliança pode se desfazer com certa facilidade. Talvez aí está o motivo da Latam anunciar a saída da oneworld mas não ter falado nada sobre entrar na Skyteam.

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos