CEO da Latam fala em aumentar jornada de tripulantes: “setor ineficiente”

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O CEO da LATAM Brasil, Jerome Cadier, colocou-se no meio de uma polêmica ao falar que os tripulantes brasileiros voam pouco e que “chegou no limite de aceitar a ineficiência do setor”.

A entrevista de Cadier foi concedida a Leonardo Cassol, do portal Melhores Destinos, e abrangeu vários temas relacionados com a atual situação da LATAM, desde as ações conectadas com a pandemia até a Recuperação Judicial pela qual o grupo passa.

No entanto, um ponto em especial chamou a atenção de uma parte do público do setor e, desde o final de semana, recebemos várias mensagens de leitores comentando o assunto.

Disse assim Jerome Cadier:

“A Lei do Aeronauta foi aprovada pelo Congresso brasileiro, ou seja, se eu quiser mudar a forma como remunero ou incentivo meus tripulantes, é uma discussão no Congresso, não é com a ANAC, com a SAC (Secretaria de Aviação Civil) ou com as companhias aéreas. Isso é um absurdo”, disse o executivo.

O CEO estava se referindo à Lei do Aeronauta (Lei 13.475/17), que estipula que os tripulantes de companhias aéreas brasileiras, voando aeronaves a jato, não podem ter mais do que 80 horas de voo por mês e 800 horas por ano.

Jerome cita outros países para justificar sua crítica ao Congresso: “Não podemos mais aceitar que um tripulante brasileiro seja um dos que menos voa por mês no mundo inteiro. O brasileiro voa no máximo 90 horas, a média é 70, 60 horas. Por que a gente tem que aceitar isso no Brasil, quando na Europa, nos EUA, na Ásia, muitos voam mais de 110, 120 horas? Chega de jabuticaba brasileira aqui”.

“Aí podem me achar muito ácido quando eu falo esse tipo de coisa, mas eu acho que chegou no limite de aceitar a ineficiência de um setor que se regulamentou de forma absurda, e o passageiro mesmo fica frustrado com a falta de flexibilidade das companhias aéreas. Não é culpa da LATAM, Gol ou Azul”, conclui o CEO.

Depois, Jerome diz que a regulamentação excessiva atrapalha o país e que, por isso, nenhuma companhia aérea surgiu após o fechamento da Avianca Brasil, mesmo com a abertura de capital.

Reações no setor

A fala do CEO foi duramente criticada por profissionais do setor, principalmente pilotos de linha aérea que já trabalharam no exterior.

Muitos citam que lá fora existe realmente um limite maior de horas de voos por mês, mas, em contrapartida, paga-se mais e existem sistemas de gerenciamento de fadiga, exatamente para mitigar os riscos do trabalho em excesso.

Um comentário que deu grande repercussão foi o de Paulo Licati, um experiente comandante de Boeing 737, que cita fatores relacionados à falta de gestão na companhia e o acidente TAM3054, quando um Airbus da companhia bateu no prédio após sair da pista em Congonhas:

A internet ficou dividida. Várias pessoas apoiaram o CEO, enquanto várias outras o criticaram, apontando que, na verdade, há uma oportunidade de melhoria na companhia aérea na forma como ela deveria empregar seus recursos.

A questão é polêmica e cada qual tem seu próprio ponto de vista e opinião.

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