China Eastern fecha primeiro pedido formal do Comac C919, o ‘A320ceo chinês’

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Ken Chen, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia

A China Eastern Airlines, o cliente lançador do jato COMAC C919, assinou um pedido firme com a fabricante estatal na segunda-feira (01) para comprar cinco unidades da aeronave de fuselagem estreita, disse a China Commercial Aircraft Corporation (COMAC).

A companhia aérea, que assinou uma carta de intenções com a COMAC em 2010, deve receber as primeiras aeronaves do C919 este ano, assim que forem certificadas pela autoridade aeronáutica chinesa.

O C919, que vai competir diretamente com o Boeing 737 e o Airbus A320, é amplamente considerado um símbolo da ambição aeroespacial civil da China. Wu Guanghui, projetista-chefe do C919, disse em maio do ano passado que havia 815 pedidos provisórios do avião, vindos de 28 clientes, segundo aponta o Aviacionline.

A aeronave, o segundo projeto contemporâneo na indústria de aviação chinesa depois do ARJ21, é a primeira a incluir técnicas modernas de construção e a representar a concorrência no mercado doméstico chinês. 

Muitos arrendadores e operadores estatais receberam a “forte sugestão” de incorporar os jatos chineses às suas frotas a fim de reduzir a dependência geral dos construtores ocidentais. Mas, embora o avião possa ser chamado de nativo, muitos de seus componentes principais vêm de fora: Rockwell Collins, Honeywell, GE e Safran são alguns dos fornecedores e uma substituição desses componentes essenciais feita na China está longe de acontecer tão cedo.

Como dizemos, a aeronave provavelmente será uma vencedora no crescente mercado doméstico chinês, embora não se espere que conquiste muitos mercados fora de sua área de influência principal. Apesar de um novo design e muitos sistemas ocidentais de ponta, o C919 está atrasado para a festa de 150-170 lugares, igualando o desempenho do Boeing 737 NG e A320ceo, mas ficando aquém do desempenho do MAX e Neo. Além disso, as certificações FAA ou EASA parecem estar longe de acontecer no futuro próximo.

Para ter a oportunidade de obter pedidos fora da China, a COMAC precisa construir uma forte cadeia de suprimentos e uma ampla rede de suporte, e isso pode custar tanto quanto desenvolver a própria aeronave. Os atritos e sanções constantes entre os Estados Unidos e o governo chinês adicionarão complicações para atingir esses objetivos.

Sem revelar o valor do negócio, a COMAC disse em um comunicado nas redes sociais que a aeronave ficaria na sede da China Eastern em Xangai e seria implantada em rotas para Pequim, Guangzhou, Shenzhen, Wuhan e outros.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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