Cinco meses depois, Airbus A340-300 da Conviasa é visto voltando do Irã

Receba as notícias em seu celular, clique para acessar o canal AEROIN no Telegram e nosso perfil no Instagram.

Foto de Aeroprints.com via Wikimedia

Em julho desse ano, o ditador venezuelano Nicolás Maduro logrou incorporar um segundo Airbus A340 para a frota da empresa aérea estatal venezuelana Conviasa. O plano é que tal avião, um A340-300, seja utilizado nas rotas de longa distância da empresa, especialmente aquelas ligando Caracas a Teerã e a Moscou, recentemente iniciadas pela empresa.

Pagamento à vista

A aeronave pertenceu à companhia aérea privada Avior e estava parada desde maio de 2019 na cidade venezuelana da Barcelona. Segundo o El Pitazo, o presidente da Avior, Juan Bracamonte, aceitou vender a aeronave com as condições de que qualquer imagem ligando a aeronave à sua empresa fosse removida antes do avião deixar a Venezuela e que o pagamento fosse feito em espécie, ou seja, através de créditos de combustível e outros créditos financeiros.

Com o negócio fechado, a aeronave foi então enviada para Teerã ainda no meio de ano, supostamente para passar por uma manutenção pesada e receber a pintura final da Conviasa antes de retornar à Venezuela, algo que está ocorrendo hoje, 31 de dezembro.

Em voo para Caracas

No momento em que essa matéria era escrita, o “novo” Airbus A340-300 da Conviasa voava de Teerã para Caracas, onde entrará na controversa malha aérea da empresa venezuelana. O registro do RadarBox mostra que a aeronave já carrega a nova matrícula YV-3507.

Com essa aquisição, Maduro poderá evitar sanções (ao menos por um tempo), já que essa aeronave ainda não consta na lista de aviões sancionados dos EUA e outros países aliados, e também pode ser uma aeronave reserva (em caso do outro A340, da série -200, estar inoperante) nos misteriosos voos da Conviasa, que nem sempre têm passagens à venda e que são duramente criticados pelos Estados Unidos.

E por falar em Estados Unidos, segundo uma nota de fevereiro de 2020, o Departamento do Tesouro tem a seguinte opinião sobre a Conviasa:

“O regime ilegítimo de Maduro depende da companhia aérea estatal venezuelana Conviasa para transportar funcionários corruptos do regime em todo o mundo para alimentar o apoio a seus esforços antidemocráticos. A administração Trump não permitirá que Maduro e seus procuradores continuem roubando do povo venezuelano e abusando de ativos estatais para promover suas próprias atividades corruptas e desestabilizadoras”.

Pela animosidade das partes, talvez não demore até essa aeronave também entre para a lista de sanções americanas. Como não há passagens à venda, as rotas do avião são um mistério, será importante aguardar para verificar os próximos logs dos sistemas de rastreamento de voos para entender um pouco mais dos planos do governo venezuelano para o jato.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

Veja outras histórias

Sai a aprovação para o reparo do problema elétrico do 737...

0
O problema foi anunciado às empresas aéreas no início do mês passado pela fabricante, que apontou quais eram os 106 aviões afetados.