Cobalt Air encerra operações após saída de investidora estatal chinesa

A operadora Cobalt Air, sediada no Chipre, uma ilha no Mar Mediterrâneo, entrou em colapso depois que seu acionista chinês que detinha 49% de participação se retirou e um investidor substituto não conseguiu obter o dinheiro necessário para a compra.

A estatal Aviation Industry Corporation of China (AVIC) era a maior acionista da companhia low cost baseada na cidade de Larnaca, que operava desde junho de 2016.




Avião Airbus A319 Cobalt Air

Airbus A319 da Cobalt – Imagem: Cybermac737 / Flickr

Os rumores de que a companhia aérea estava em dificuldades financeiras começaram a aparecer no início desta semana.

Em 16 de outubro, uma fonte da Cobalt disse que havia uma crise de fluxo de caixa de curto prazo, mas que um novo investidor havia se interessado em cobrir um déficit de $5 milhões de euros e que uma declaração revelando a solução seria divulgada em breve.

O novo arranjo faria com que a Cobalt “se tornasse uma operação muito mais europeia” do que antes, disse a fonte – uma referência à identidade do novo investidor europeu que tomaria o lugar da estatal chinesa.

Na noite de 17 de outubro, no entanto, a Cobalt divulgou uma declaração de que estaria suspendendo todas as operações a partir das 23:50, horário local, e agradecendo aos clientes pelo apoio nos últimos dois anos.

Press Release Cobalt Air Operations

Comunicado no site da Cobalt informa o fim dos voos

Em 18 de outubro, outra fonte da Cobalt comentou que duas ou três semanas atrás a AVIC disse que estaria retirando seu apoio por causa da atual “crise política e econômica”, uma aparente referência à atual guerra comercial com os EUA.

A AVIC também disse que havia problemas envolvidos na movimentação de moeda internacionalmente.

“Eles disseram: ‘Você precisa encontrar outro investidor'”, disse a fonte. “Olhamos em volta, encontramos dois ou três e um assinou um MOU (Memorando de Entendimento). Nós tínhamos concordado com tudo em termos de participação e ele deveria fazer sua primeira injeção financeira ontem à tarde. O investimento não ocorreu e por volta das 17:00 ficamos sem ter o que fazer ou para onde ir”.

A Cobalt tinha uma frota de dois Airbus A319 e quatro A320 – todos alugados – que operavam voos entre Chipre, Europa e Oriente Médio. Havia planos para iniciar uma operação de longa distância para a China.

A fonte disse que o investimento da China na Cobalt foi uma pequena peça no enorme projeto One Belt, One Road, pelo qual a China pretende se ligar à Europa através da Ásia Central por múltiplos modos de transporte. Os investimentos neste projeto aparentemente foram reduzidos por causa das dificuldades advindas da disputa comercial com os EUA.

“A estratégia One Belt, One Road lançou a companhia aérea, e também a matou”, disse a fonte, acrescentando que os investidores chineses pelo menos deram à Cobalt algum aviso e não exibiram “uma abordagem totalmente arrogante”.

As aeronaves da companhia aérea estão em solo e, embora o Cobalt permaneça legalmente existente, um administrador foi nomeado para cuidar das aeronaves.

 
Informações pelo ATW Online.
 




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Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.