Com a crise da covid-19, TAP Air Portugal pode encolher em 25% e retirar 30 aviões

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Com a crise se estendendo, praticamente a totalidade das empresas aéreas está tendo que se ajustar rapidamente às mudanças de cenário, a fim de assegurar sua sobrevivência. Assim está acontecendo com a TAP Air Portugal, que pode ter seu tamanho ajustado em troca do dinheiro público que lhe será injetado ou contra-garantido.

A informação dos primeiros números do provável redimensionamento da TAP foi dada pela Revista Sábado e circula internamente na companhia, embora não tenha sido confirmada oficialmente pela empresa.

Segundo os dados, a reestruturação pode resultar na não renovação de contratos de leasing de aeronaves, resultando num encolhimento da frota da ordem de 25% que se refletirão na demissão de cerca de 1.700 pessoas. Na verdade, algumas aeronaves já estão estocadas em alguns aeroportos portugueses, como no de Faro, com status de devolução.

Tal decisão se basearia no fato de que a empresa aérea e o governo português teriam que se adequar às contrapartidas requeridas pela União Europeia, que visam assegurar uma empresa sanitizada e lucrativa que justifique o dinheiro público investido.

Uma alternativa a tudo isso poderia ser a entrada de novos investidores privados, no entanto, a probabilidade de isso acontecer é baixa num momento como esse – mas não impossível, diga-se. No entanto, mesmo que um investidor privado entre com mais recursos, dificilmente ele não iria querer ver uma empresa saudável para enfrentar uma demanda que deve demorar anos até se recuperar.

Segundo a Rádio Renascença, o presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), Henrique Martins, disse que as demissões consequentes da redução de tamanho referem-se à não renovação de contratos de trabalho temporário, enquanto que Paulo Manso, do Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (SITEMA), confirmou que se tem ouvido falar na dispensa de trabalhadores, mas sem confirmação oficial”.

Injeção de recursos

Ainda não está fechado o plano de salvação da TAP pelo governo local. Não se sabe, portanto, se haverá aporte e nacionalização da empresa ou se os recursos entrarão na forma de subsídios e garantias. O que se sabe é que a ajuda deve estar na casa de $1 bilhão de euros, para mais.

Além disso, alguns setores do governo defendem a nacionalização e retomada de controle estatal, em vistas às divergências de opinião com os investidores privados, que atualmente conduzem a gestão da empresa. O receio dos últimos é que a empresa volte a ser um “cabide” de empregos de políticos carreiristas que pouco sabem sobre o mercado da aviação.

Como parte do “alarmismo de retórica”, nessa semana o ministro da Infraestrutura e da Habitação, Pedro Nuno Santos, declarou que nenhum cenário deve ser excluído para a TAP, “inclusive o da própria insolvência da empresa com posterior intervenção do estado”, reportou o Observador.

Os empresários que conduzem a TAP responderam, pedindo ao ministro que não os veja como inimigos.

Por hora, o clima está quente na empresa de bandeira portuguesa.

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Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.

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