Com aumento de confusões a bordo, comissários buscam treino de autodefesa

Desde o início da pandemia da COVID-19, temos acompanhado os mais diversos casos de confusões a bordo envolvendo passageiros contra tripulantes nos Estados Unidos. Ainda sem uma explicação bem definida sobre esse gigantesco aumento nos casos de brigas e agressões, multas e penalidades vêm sendo dadas aos desordeiros.

Na semana passada, por exemplo, publicamos aqui no AEROIN o alto valor de multas propostas nos mais recentes casos registrados, chegando à marca impressionante de US$ 1 milhão no total de tumultos em voos neste ano de 2021. Na mesma semana, trouxemos aos leitores um caso em específico sobre um passageiro que segurou o tornozelo de uma comissária de bordo e colocou a cabeça para cima sob sua saia. As ocorrências são as mais diversas possíveis, na maioria das vezes envolvendo atos físicos contra os tripulantes.

Neste cenário hostil e para poder lidar com as situações adversas vindas de passageiros atormentados, comissários de bordo têm procurado em grande escala o treinamento de Autodefesa para Membro de Tripulação (CMSD).

As aulas que acontecem desde 2004, supervisionadas pela Administração de Segurança de Transporte (TSA), precisaram ser interrompidas devido à crise pandêmica no ano passado, mas voltaram recentemente e já com uma importante alta na procura.

Conforme relata o Paddle Your Own Kanoo, os 24 pontos autorizados nos Estados Unidos para o treinamento não obrigatório tiveram o dobro de participantes nas aulas, que foram aumentadas em quatro vezes. O aumento vem em resposta à demanda por conta dos passageiros perigosos.

Os ‘ataques’ de defesa visam às partes mais vulneráveis ​​do corpo e o treinamento procura, principalmente, ensinar técnicas que evitam lesões graves no oponente, embora nem sempre isso seja possível.

Os cursos contam com instrutores certificados para fornecer aos membros de tripulação técnicas defensivas eficazes para responder contra um atacante em uma aeronave comercial de passageiros ou de carga. Durante o programa, os tripulantes aprendem a identificar e impedir ameaças potenciais e, se necessário, aplicar as técnicas de autodefesa contra os agressores.

A oficial sênior da TSA, Darby LaJoye, comenta: “Embora esperemos que os membros da tripulação de voo nunca precisem dessas táticas, é fundamental para a segurança de todos que estejam bem preparados para lidar com as situações que surgirem.”

O sindicato que representa cerca de 50 mil comissários questiona a não obrigatoriedade do curso de autodefesa para comissários de bordo, de modo a amenizar o risco de agressões de passageiros desordeiros. Sara Nelson, presidente internacional da Association of Flight Attendants, disse: “Esse treinamento deve ser obrigatório e fazer parte do nosso treinamento inicial pago e recorrente, a fim de construir a memória muscular para usar a tática imediatamente quando os ataques surgem sem aviso.”

A Association of Flight Attendants tem feito campanhas desde os atentados de 11 de setembro para que o treinamento seja obrigatório, pressionando as companhias aéreas, a Administração Federal de Aviação (FAA) e também a Administração de Segurança de Transporte, mas nada mudou até agora, e os tripulantes acabam precisando buscar tudo por conta própria.

Um vídeo com cenas de como é o treinamento pode ser assistido na matéria que você acessa pelo título a seguir:

Juliano Gianotto
Ativo no Plane Spotting e aficionado pelo mundo aeronáutico, com ênfase em aviação militar, atualmente trabalha no ramo de fotografia profissional.

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