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Com debandada de pilotos, Atlas Air deverá abrir vagas para brasileiros

A crise de falta de pilotos na Atlas Air atingiu um pico histórico e agora a companhia aérea abrirá vagas para estrangeiros, inclusive brasileiros.

Boeing 747-400 de passageiros da Atlas Air – Divulgação

A empresa aérea é uma das mais tradicionais cargueiras nos EUA, sendo atualmente a maior operadora do Boeing 747 Jumbo no mundo, e principal contratada pela Amazon Air, companhia aérea da gigante do varejo online.

Apesar dos números expressivos que fazem juz à imagem de Atlas, o titã da mitologia grega, condenado por Zeus à carregar os céus, a vida dos pilotos na empresa tem refletido um pouco do fardo do titã.

Do início do ano até o dia 11 deste mês, o número de saídas voluntárias de pilotos bateu um recorde: 400 pediram desligamento. E, desde estes dias, foram mais 12 profissionais que pediram baixa da empresa.

Dentre os motivos estão o salário abaixo da média local, além da lenta progressão de carreira, somada aos bônus que as concorrentes (principalmente do setor de passageiros) tem oferecido.

Os últimos recrutamentos da empresa foram um fiasco e agora a opção que restou foi recorrer aos imigrantes, que terão visto patrocinado pela empresa.

Segundo a página de recrutamento Gecko Aviation, o Piloto-Chefe da empresa informou que serão necessários aos menos 500 pilotos para o próximo ano para cobrir a falta dos que saíram e expandir as operações, principalmente da Amazon.

O Salário

As vagas que serão abertas são para as bases de Anchorage, no Alasca, Los Angeles, na Califórnia, e Cincinnati, Ohio, com um seat lock (carência mínima para e promoção) de 18 meses e de 7 meses para mudança de base/localidade.

Jato 767 da Atlas operado para a Prime Air (Amazon) – Divulgação

Durante o treinamento o piloto receberá $ 1600 dólares por mês + diárias US$ 57 por hora) até o voo de cheque ou até 4 meses, o que vier primeiro.

Nem o salário e nem o avião a ser voado foram divulgados ainda, mas levando em conta que todos os Primeiros-Oficiais (Copilotos) da Atlas ganham o mesmo valor por hora (U$ 87 ou R$ 491) no primeiro ano na empresa, independente da aeronave, o salário pode ir de US$ 4.350 (R$ 24 mil) até US$6.525 (R$ 36 mil) por mês.

Esta conta foi feita utilizando a calculadora do portal Airline Pilot Central, referência para salários de pilotos nos EUA, e leva em conta o mínimo de horas voadas por mês (50h) e a média global do país que são 75 horas voadas em 30 dias.

O portal Gecko informa também que está incluso plano de saúde dentro do padrão das concorrentes, e que a base que tem o maior tempo de espera para migração (e que é a mais próxima e de fácil acesso ao Brasil) é a de Miami.

As vagas deverão ser abertas para todos os aviões da empresa, mas com foco nos 767 e 747, que exigem maior experiência e são mais numerosos na frota da empresa.

Além desses jatos, a empresa voa os Boeings 737 NG e 777, incluindo pelas subsidiárias Southern Air, Polar Air Cargo e Titan Aviation.

O Green Card

Boeing 777F da Southern Air pousa em Campinas

Por enquanto as vagas seriam abertas apenas para os candidatos estrangeiros que possuem carteira nos EUA pela FAA, que é a agência de aviação civil americana.

Mas a expectativa é que nos próximos meses a empresa seja qualificada pelo governo para poder oferecer o Visto EB2 – NIW.

O EB2 é o visto padrão de trabalho para os EUA, que serve para profissionais excepcionais que não são encontrados no país, e por isso é necessário importar mão de obra.

O NIW significa National Interest Waiver, em que existe uma “renúncia” de requisitos do processo, tornando ele mais rápido, simples e barato. O NIW está aberto para pilotos a alguns anos, dado a falta dos profissionais no país e por fazerem parte de um serviço essencial, o setor aéreo.

Para ser elegível para este tipo de visto, é necessário que o piloto, assim como qualquer outro profissional, tenha uma experiência considerável no setor e comprovada. Para pilotos o mínimo exigido é a licença de Piloto de Linha Aérea, que nos EUA é de 1.500 horas de voo, mas o ideal são aviadores com mais de 3 mil ou 5 mil horas voadas, sendo a maior parte delas em companhias aéreas.

Outros requisitos estão a participação em associações locais, formação na área, cursos extras e outros pontos que reafirmem o diferencial do candidato. Caso o piloto seja contratado e o visto seja obtido com sucesso, será recebido um Green Card com validade igual ao visto, para o piloto, sua esposa ou marido, além de filhos menores de 21 anos. Depois de 5 anos com o visto EB-2 é possível aplicar para a cidadania americana.

Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A
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