Comissária com salário de US$ 250 mil é demitida e acusada de roubar leite do avião

Ida Gomez Llanos, 79 anos, foi comissária da Delta por 59 anos. Sênior na posição, ela tinha um patamar salarial de US$ 250.000 por ano, mais benefícios. Mas uma carreira estelar terminou em um pântano de litígios e muito de “ele disse, ela disse”. Tudo isso por causa de uma caixa de leite. Ou não?

Leite azedo

Em abril de 2019, Gomez Llanos foi suspensa (e depois demitida) por retirar uma caixa de leite de um avião. 

As coisas ainda são um pouco obscuras, por que seu processo diz que ela comprou a caixa de leite em um supermercado antes de voar, enquanto que ela relatou ao Daily Mail que seu gerente de linha lhe deu permissão para tirar o leite do avião. Mas talvez o cerne do problema parece ser outro: a longa data de Gomez Llanos na empresa e os benefícios formais e informais que a acompanhavam. 

Ela era baseada em Los Angeles, onde era muito sênior no pool de comissários de bordo da Delta, ganhando mais de quatro vezes o salário médio de uma comissária de bordo, além de conseguir escolher turnos e horas extras.

Segundo ela, parece que nem todo mundo no LAX estava feliz com o status de que tinha. Dizia-se que colegas mais jovens e menos recompensados ​​financeiramente, e gerentes locais, estavam cansados ​​dela e de seu perfil. Até que, em junho deste ano, ela foi demitida sob alegação de roubar uma caixa de leite.

Boca no trombone

Mas Gomez Llanos não está disposta a se deslocar silenciosamente para a vila de aposentados dos comissários de bordo para jogar canastra. Ela está processando a Delta, alegando que foi vítima de uma “campanha sórdida impetrada por colegas invejosos de seu salário e benefícios”.

Gomez Llanos está alegando rescisão indevida com base em idade, sexo e outros fatores mais difíceis de provar, como ciúmes e redução de custos. De acordo com a PR Newswire, a Sra. Gomes Llanos se queixou de ser assediada e discriminada por anos, mas a gerência da companhia aérea nunca fez nada, apesar as reclamações formais. Assim diz a publicação:

comissária

“Llanos, como alega o processo, ganhou privilégios relacionados ao trabalho altamente cobiçados, como resultado de seus anos de serviço, e que causaram ressentimento em funcionários mais jovens que disputavam os mesmos privilégios, resultando em várias formas de retaliação. As vantagens que Llanos ganhou incluíram a capacidade de ser a primeiro a escolher voos, bem como a capacidade de realizar voos adicionais”.

“Antes de sua demissão, Llanos experimentou uma conduta discriminatória, de retaliação e assédio baseada em sexo e idade por supervisores e colegas de trabalho, além de intimidação e acusações falsas. Apesar de apresentar queixas por escrito à empresa, nada foi feito.”

Um porta-voz de sua equipe jurídica na Shergerian and Associates, Carney Shegerian, que attende Gomez Llanos, disse: “Gomez foi uma funcionária leal, diligente e trabalhadora da Delta por mais de cinco décadas. As supostas ações da Delta não devem ser toleradas e devem ser responsabilizadas pela discriminação, retaliação e assédio alegadas no processo de Gomez.”

Comissária

Delta comenta o caso da comissária

Houve uma alegação em 2018 de que Gomez Llanos, querendo economizar nos gastos pessoais, retirou nove pacotes de cereais de um voo. Ela afirma que foi sabotada por colegas ciumentos com inveja dela. No entanto, ela recebeu sua primeira advertência em 55 anos e, após mais avisos, foi liberada no início deste ano. Então a história do leite aconteceu.

Em comunicado, a Delta Air Lines disse: “Quando uma violação da política da empresa é identificada ou uma conduta inadequada é relatada, a Delta realiza uma investigação completa para determinar o curso da ação – considerando muitos fatores, incluindo o registro geral de desempenho do empregado e a duração do serviço. Decisões como essas não são tomadas de ânimo leve ou sem uma revisão abrangente por muitos.”

Nunca saberemos o que aconteceu ou o que foi dito naquele pool de comissários de bordo da Delta da LAX e, bem, quanto a Gomez Llanos, só resta esperar para ver o que a justiça determina.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.