Como as empresas aéreas trabalham para mitigar o risco do gelo para os aviões

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Foto de Alex Pereslavtsev via Wikimedia

Na aviação, ficar atento ao clima é fundamental para os passageiros, a segurança da tripulação e a operação do voo. Quase todas as operações de aviação dependem do clima. Os protocolos de degelo da companhia aérea e do aeroporto devem ser claros e acionáveis ​​a qualquer momento para evitar atrasos ou cancelamentos de viagens.

Uma das empresas que atua para mitigar esse tipo de risco é a DTN, que explica nesse artigo como os operadores de aviões e aeroportos podem lidar com dados meteorológicos inovadores, confiáveis ​​e precisos para mitigar riscos associados ao gelo. 

Acúmulo de gelo afeta a aerodinâmica da asa

Uma asa limpa apresenta uma parte inferior quase plana e uma superfície superior curva. A variação na velocidade do ar causada por essa diferença entre a forma da parte inferior e da superior da asa cria a chamada sustentação. Combinada com o empuxo do motor para a frente, essa configuração permite que um avião decole assim que atingir a velocidade necessária.

Quando você adiciona temperaturas congelantes e precipitação (ou mesmo ar úmido) em uma superfície sólida viajando em alta velocidade, você obtém acúmulo de gelo. Quando gelo e neve se acumulam no bordo de ataque de uma asa, a forma do escoamento do ar pela asa muda, e a sustentação pode diminuir ou até deixar de existir.

Foto: Domínio Público

Um acidente fatal e fatídico em 1982 demonstrou a necessidade imediata de tecnologia de degelo. Um Boeing 737 transportando 74 passageiros e tripulantes partiu de Washington DC com muito gelo nas asas. O avião não conseguiu subir e caiu imediatamente no Rio Potomac, matando todos a bordo.

Após o acidente, a Federal Aviation Administration (FAA) atualizou os regulamentos de segurança de aeronaves comerciais para incluir equipamentos de degelo nas asas. No entanto, mesmo com um sistema de degelo na asa, as condições podem ficar tão frias e geladas que um banho anticongelante pré-voo se torna necessário.

A remoção do gelo em voo

Como o clima, a temperatura do ar e o teor de umidade do ar podem mudar rapidamente durante o voo, torna-se difícil prever as condições de gelo. 

As tripulações de voo podem prever o risco de congelamento rastreando os tipos de nuvens para as quais voam. Nuvens cúmulos e estratiformes podem apresentar diferentes faixas de temperatura de risco para formação de gelo. As temperaturas ambientes iguais ou inferiores a 0 graus Celsius, mais chuva, granizo ou neve, aumentam o risco.

Em geral, a “zona de perigo” de gelo está entre quatro e dez graus Celsius negativos em qualquer altitude com um teor de umidade limite. Ter dados meteorológicos precisos antes do voo e durante o voo pode ajudar os pilotos a responder mais rapidamente para evitar o acúmulo de gelo nas asas.

Respondendo com agilidade

Os pilotos podem verificar visualmente sua aeronave para determinar se o gelo começa a se formar na superfície da asa. Eles também podem contar com dados meteorológicos, analisados juntamente com o plano de voo.

Descongelar as asas em voo pode significar a ativação de uma superfície de asa aquecida para evitar ou derreter o acúmulo de gelo. Outra opção de degelo em voo é empurrar fisicamente o gelo para fora da asa com um painel de asa móvel integrado que ejeta o gelo de sua superfície. 

É crucial ter dados ambientais precisos para tomar decisões que garantam a segurança dos passageiros e tripulações.

Pulverizar ou não pulverizar?

Embora os pilotos possam degelar os bordos de ataque das asas durante o voo, a neve e o gelo podem se acumular no avião enquanto ele está no solo. Além disso, o nariz do avião contém um radar sensível que deve estar livre de neve e gelo.

Pulverizar o avião com líquido de degelo garante a configuração ideal durante a decolagem. Os protocolos de spray de degelo devem ser combinados com o equipamento anti-gelo em voo para manter o gelo longe das asas e da cauda. 

Embora os sprays de degelo continuem sendo uma necessidade para a segurança, eles têm desvantagens financeiras e ambientais. O uso de tecnologia avançada de previsão do tempo pode ajudar os aeroportos a garantir voos seguros e, ao mesmo tempo, diminuir seu impacto ambiental negativo. 

Muitos aeroportos podem ativar seus protocolos de degelo com uma abordagem genérica. Claro, a mitigação de risco é fundamental quando prevalecem condições de gelo. Com dados meteorológicos mais precisos, os aeroportos podem determinar melhor quando, onde e com que frequência implantar seus sistemas de pulverização de degelo móveis ou estacionários. 

Economizando com melhor previsão do tempo

Durante os meses de inverno, aeroportos e companhias aéreas podem sofrer atrasos e cancelamentos de voos. Parte desses atrasos vem do próprio processo de degelo. 

É necessário planejar medidas preventivas de anti-gelo muitas horas antes da decolagem para evitar atrasos de voos e filas de aviões que aguardam degelo nos horários de pico. Sem mencionar que também é necessário planejar a equipe suficiente para os tratamentos de degelo e anticongelante.

Simplificar os protocolos de degelo com previsão do tempo e análise de risco de alta sofisticação pode colocar uma empresa à frente de seus concorrentes. 

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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