Como o DC-3 mudou a aviação comercial para sempre

Recentemente, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (FENTAC-CUT) defendeu a destruição de um dos DC-3 mais importantes do mundo, que estava no Rio de Janeiro, e zombou daqueles que se sentiram ofendidos pelo fato, chamando-os de saudosistas. Infelizmente, a entidade que diz defender as pessoas da aviação, parece não se importar muito com ela.

Enquanto isso, o Douglas DC-3 é amplamente considerado mundo afora como um dos desenvolvimentos mais importantes na aviação comercial de passageiros. Tendo entrado em serviço em 1936, ele imediatamente mostrou sua capacidade. De tão eficaz, permaneceu em operação em diversas empresas por décadas e há alguns voando até os dias de hoje. 

O pontapé inicial

O Douglas DC-3 foi desenvolvido a pedido do CEO da American Airlines, CR Smith. Ele queria uma aeronave totalmente nova que permitisse à American transportar passageiros pelos EUA, em viagens de média distância, principalmente.

A Douglas se debruçou no projeto e criou o DC-3 sobre a plataforma existente de seus antecessores, o Douglas DC-1 e DC-2. Chegou a um modelo maior do que esses anteriores, configurado tanto nas versões de avião diurno, com 21 lugares, quanto nas versões de 14 a 16 camas, para voos noturnos.

Imediatamente após o lançamento na American Airlines, em 26 de junho de 1936, o Douglas DC-3 mostrou estar um passo acima de qualquer outra aeronave comercial de passageiros lançada até o momento. Rapidamente, outras companhias aéreas no mundo todo reconheceram as capacidades do DC-3 e encomendaram a aeronave.

Quando a Segunda Guerra Mundial estourou, o DC-3 estava em uso em todo o mundo.

O que fez do DC-3 um sucesso?

Antes do surgimento do DC-3, as companhias aéreas ainda estavam lutando para fazer dos aviões de passageiros de longa distância um sucesso comercial. O predecessor do Douglas DC-3, o DC-2, fez um bom progresso em direção ao objetivo das empresas, ou seja, de transportar mais de 10 passageiros por distâncias consideráveis, mas ainda não era o ideal.

Um problema com o DC-2 era o tamanho de sua cabine, que era muito estreita para caber as camas lado a lado. Por isso, o Douglas DC-3 foi construído com 60 cm de largura extra na cabine, o que permitiu às linhas aéreas encaixar mais assentos e camas, que davam mais conforto em viagens de longa distância.

Também foi equipado com motores Pratt & Whitney Twin Wasp, muito mais potentes, que produziam 1.200 hp, em comparação com dois motores do DC-2, que variavam de 710 a 875 hp. Os motores atualizados permitiram que o Douglas DC-3 viajasse a 207 km/h, o que, embora lento nos termos de hoje, foi muito impressionante para um avião de seu tamanho na década de 1930.

O Douglas DC-3 também poderia operar em pistas curtas e tinha um alcance de 1.500 milhas. Isso o tornou perfeito para voos transcontinentais nos EUA e na Europa.

A carreira militar do DC-3

Devido à sua confiabilidade, simplicidade e adaptabilidade, o Douglas DC-3 foi logo colocado em ação na Segunda Guerra Mundial. Ele foi modificado para uso militar e denominado como o C-47 Skytrain. Também foi construída uma versão especializada em transporte de tropas, chamada C-53 Skytrooper.

C-47

O C-47 Skytrain serviu extensivamente para os Aliados durante a Segunda Guerra, transportando carga, tropas e vários outros suprimentos. Mas a carreira militar do C-47 não terminou com a vitória na Segunda Guerra Mundial. Ele continuou a servir na Guerra do Vietnã, onde alguns exemplares foram modificados para atacar usando metralhadoras.

Notavelmente, o C-47 Skytrain permaneceu em serviço com os militares dos EUA até 2008, quando o 6º Esquadrão das operações especiais aposentou sua última aeronave.

Enquanto o C-47 Skytrain deixou o serviço militar, existem muitos DC-3 da Douglas ainda em operação em capacidade civil em todo o mundo.

Preservação

Hoje em dia, há muitos DC-3 e C-47 preservados no mundo, sobretudo nos Estados Unidos e Europa, onde é comum ver dezenas deles fazendo demonstrações em voo de formação e no solo. Mas essa é uma realidade que o Brasil não vê, embora a importância histórica da aeronave para nosso país. Em nosso país, há apenas um punhado deles, espalhados por vários lugares e nem sempre em bom estado de conservação.

A imagem abaixo foi feita em Oshkosh, maior evento de aviação do mundo, onde é comum ver dezenas de DC-3/C-47 perfilados.

The Chrome DC-3

Infelizmente, o DC-3 da Varig que foi destruído sem que sequer se buscasse um destino digno a ele, revela apenas a ignorância de algumas pessoas, que têm o campo de visão restrito a apenas dez metros adiante do nariz.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.

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