Como essa pequena companhia aérea de Minnesota se manteve lucrativa na crise

Boeing 737 da Sun Country pousa em Los Angeles

Com decisões antecipadas, uma pequena companhia aérea de Minnesota conseguiu se manter rentável durante a pior crise da aviação.

A Sun Country é uma companhia aérea baseada em Minneapolis-Saint Paul, região metropolitana da capital de Minnesota. Ela começou a voar em 1983 mas só deslanchou em 2011, com novos donos, após ter passado por duas Recuperações Judiciais.

A empresa adota o perfil de baixo-custo e até antes da pandemia contava com pouco mais de 30 aviões em sua frota, se tornando a menor das companhias aéreas não regionais nos EUA. Para efeito de comparação, a Delta possui mais de 800 aeronaves e a empresa que está à frente da Sun Country seria a Hawaiian Airlines, com 60 aviões, mesmo operando maiormente entre as ilhas havaianas.

O nicho de mercado da Sun Country foi sempre o meio-oeste americano, atraindo público de pequenos estados para viagens de turismo, principalmente em destinos de praia, daí o nome Sun Country, ou “país do sol” na tradução literal.

Assim que a crise do Coronavírus bateu na porta, a empresa foi ágil, começou a cortar rotas, suspendendo contratos e assumindo as operações de solo ora terceirizadas, segundo reporta o jornal StarTribune.

“Nós reduzimos a capacidade em 80% e os custos com tripulação em 70%. Nossos tripulantes têm sido bem colaborativos, estou muito orgulhoso disso”, disse o CEO Jude Bricker.

A redução foi possível com licenças não-remuneradas curtas, de apenas um mês, mas que ajudaram a dar fôlego na empresa, que sempre focou em rotas-tronco nos estados do meio-oeste, que não foram tão afetados como os estados costeiros pela pandemia.

Contrato com a Amazon

737-800 de cargas da Prime Air que é operado pela SunCountry © Anna Zvereva

Mas isso não foi tudo o que levou a empresa a atingir o seu pequeno, mas valioso, lucro de $8 milhões de dólares (sem descontar os impostos). Além de ter recorrido ao governo americano para a ajuda, a empresa no ano passado fechou um contrato de seis anos com a Amazon Air para operar os novos Boeings 737-800BCF da Prime Air, companhia aérea do maior site de vendas on-line do mundo.

A expectativa, quando fecharam o contrato, é que ele lhe renderia um aumento de 25% na frota, chegando à 40 aviões, e que resultasse num aumento de 20% nas operações na empresa. Porém, com a pandemia, o negócio de cargas expressas com a Amazon se tornou a principal receita ao ponto de hoje a Sun Country voar mais voos de carga (em torno de 30 ao dia) do que de passageiros, que antes do vírus estava em torno de 120 voos por dia.

“A sorte foi importante neste processo. O mercado de carga está ficando mais importante na nossa empresa no curto prazo, antes do que imaginávamos”, afirma o CEO.

A experiência de remanejar pilotos por rotas sazonais, que só operam no verão, também contribuiu para a agilidade da companhia em operar as rotas da Amazon, que podem aumentar em breve. Outra vantagem é Minnesota: o estado conhecido pelos seus 10 mil lagos, fica ao lado do Canadá, é pacato e tem apenas 5 milhões de habitantes. O custo de vida é baixo, o que facilita a vida da Sun Country que tem toda a sua tripulação e funcionários baseados lá.

“As empresas aéreas ficarão menores e os viajantes de turismo que querem viajar ao mesmo tempo (como em feriados) terão que pagar um preço, então podemos ir até estes mercados e abaixar as tarifas, entregando um grande serviço”, conclui Jude.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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