Companhia aérea desiste da “Taxa do Covid” após reclamação de passageiros

Criação de taxas parece ser uma arte para algumas empresas aéreas low-cost mundo afora. Recentemente, uma empresa americana quis criar a “Taxa do Coronavírus”, mas foi obrigada a voltar atrás após grande polêmica.

Avião Airbus A320 Frontier
Imagem: Frontier

A novidade veio da Frontier Airlines, uma das companhias aéreas de ultra-baixo-custo dos EUA, “que só ainda não cobra o preço para ir no banheiro e nem o ar respirado”, como brincam os passageiros.

Receitas auxiliares, como venda de bagagem despachada, emissão por pontos e cartão de crédito vinculado ao programa de fidelidade são algumas das maneiras que essas empresas encontraram para ganharem mais dinheiro, enquanto cobram uma tarifa básica bem baixa dos viajantes. Tal modelo de negócios é muito forte entre as empresas de baixo-custo.

A Frontier Airlines, por exemplo, já tinha a taxa de “Interface da Companhia – CIC” que é cobrada quando o passageiro compra a passagem pela internet ou call-center, e a justificativa seria o uso do software da empresa. Ao se comprar no aeroporto, essa taxa não existe, porém pode ser cobrada uma taxa de serviço, que é bem mais tradicional e corriqueira.

Agora, a empresa inovou novamente com uma nova taxa: a do Coronavírus.

Chamada oficialmente de CDC – Covid Recovery Charge, ou Taxa de Recuperação do Coronavírus, ela não tem nada a ver com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, que tem a mesma sigla. A única relação é que ela, igual ao CDC, segue as regras básicas de prevenção da doença.

E é exatamente essa justificativa que a Frontier usou para implementar a taxa: ela compensa os valores que a Frontier teve que gastar para aumentar a limpeza das aeronaves e aeroportos, além do custo das divisórias transparentes nos balcões da empresa, e equipamentos de proteção individual para seus funcionários, como máscara e álcool em gel.

A “Taxa Covid” aparentemente está ligada a taxa CIC que, por sua vez, refere-se a 7% do valor da passagem. Apesar do valor ser bem pequeno, algo que não passa de $1.59 dólares (R$7,90), sua cobrança não repercutiu bem entre os passageiros.

Segundo a CBS News, os viajantes criticaram a iniciativa, já que apesar de um valor pequeno, a taxa foi implementada no final de maio, quando o pior da pandemia nos EUA já tinha passado e com a tendência do fim da exigência de máscaras em todos os voos no país. Outro ponto de crítica é que todas as empresas, não só do setor aéreo, tiveram custos para aumentar a segurança sanitária, só que nenhuma cobrou separadamente por isso.

Após muitas críticas, a empresa voltou atrás e afirmou que irá embutir a taxa nas passagens, que tinha tomado a decisão de colocar o valor separado como “medida de transparência” e que agora desistiu da decisão para evitar “más interpretações”.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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