Companhias aéreas perdem R$50 mi por dia com a greve dos caminhoneiros

Foto: Dilvulgação – Air BP

A greve dos caminhoneiros tem afetado o país como um todo, e na aviação não é diferente: aeroportos ficaram sem combustível e empresas tiveram que fazer tankering para abastecer suas aeronaves.




Em informe divulgado hoje, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas – ABEAR, que representa as companhias Avianca Brasil, Azul, GOL Linhas Aéreas e LATAM Brasil, estima um prejuízo diário de mais de R$ 50 milhões, que envolve cancelamentos, pousos técnicos para reabastecimentos, no shows e atendimento a passageiros que deixaram de embarcar.

Segundo a Associação, mais de 270 voos foram cancelados e outros alterados nos mais diversos aeroportos do país, o que reforça a necessidade de todos os passageiros procurarem se informar sobre sua situação específica antes de iniciar viagem.

Apesar de a maior parte da malha aérea permanecer em operação, os cancelamentos e mudanças de horários devem continuar acontecendo, sem previsão de normalização, por causa da não reposição ou total ausência de combustível em aeroportos menores espalhados pelo país.

Enquanto permanecer esta situação, os passageiros podem alterar seus voos – impactados pelo desabastecimento – para nova data ou horário, sem o pagamento de taxa de remarcação e das eventuais diferenças tarifárias, de acordo com as regras de cada companhia.

A ABEAR reforça que os passageiros que têm viagem programada para os próximos dias, inclusive durante o feriado, devem se informar sobre o status de voo junto às empresas (por meio de sites, SACs ou aplicativos) antes mesmo do deslocamento ao aeroporto.

Apesar dos prejuízos, a indústria aérea destaca a importância da greve

O principal motivo da greve dos caminhoneiros é o alto custo do combustível, uma reinvidicação antiga que vem desde antes do preço dos combustíveis seguirem as mudanças do mercado internacional. Assim como o Diesel S10 e S50, o Queresoene de Aviação (QAV/Jet A1) tem uma altíssima carga tributária, sendo o mais caro do mundo assim com o diesel para caminhão e o combustível para o seu carro.

A greve dos caminhoneiros no Brasil destaca a importância vital de um fornecimento confiável de combustível de aviação para o bem-estar do país. A aviação tem uma participação importante na economia brasileira, garantindo 1,1 milhão de empregos e 1,4% do PIB do país. Mas sem combustível, esses benefícios não podem ser realizados.

Essa crise também levanta questões mais amplas sobre as políticas de combustível do Brasil e se elas estão gerando o melhor resultado para a população e as empresas do país. Devido às políticas do governo, as companhias aéreas pagam pelo combustível de aviação no Brasil mais do que quase qualquer outro lugar do mundo.

Por exemplo, embora o Brasil importe menos de 10% de seu combustível de aviação, o preço do combustível se equipara ao preço de importação do Golfo do México. A política de preços de paridade de importação do Brasil aumenta cerca de 660 milhões de dólares por ano na conta das companhias aéreas. Além disso, o Brasil tem um dos ICMS mais altos sobre o combustível doméstico (19% em média). No Estado de São Paulo, o maior mercado de transporte aéreo do Brasil, o ICMS é de 25%.

A remoção da carga pesada imposta pelos custos do combustível na aviação e nas viagens aéreas estimulará a economia brasileira e tornará as empresas brasileiras mais competitivas nos mercados mundiais. — Peter Cerda, vice-presidente regional da IATA para as Américas.

Com informações das Assessorias de Imprensa da ABEAR e IATA

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos