Companhias aéreas que fecharam as portas em 2017

O ano de 2017 foi um grande ano da aviação em números: o mais seguro de todos os tempos segundo dados preliminares do Aviation Safety Network, recorde de encomendas em vendas únicas e novas aeronaves apresentadas ao público como o Boeing 787-10, o Airbus A380plus e o Embraer E195-E2.




Mas nem tudo é um mar de rosas. 2017 também foi um ano em que várias empresas aéreas fecharam as portas, deixando passageiros no chão e funcionários sem emprego. Abaixo segue uma lista feita pelo site Cranky Flier com as companhias aéreas que fecharam as portas neste ano, muitas delas desconhecidas do público brasileiro:

  • Orange Air (2014 – 2017)

© Emmanuel Canaan

A Orange Air começou em 2014 fazendo voos charters para equipes esportivas nos EUA. Ela também realizou voos de temporada sob a marca Branson Air Express, de Cincinnati, Ohio, para Branson, no Missouri, e de lá para Nova Orleans e Cancún. A empresa esperava substituir os seus McDonnell Douglas MD-80 por Boeings 737, mas isto não aconteceu e a falta de voos fora da temporada fez com que ela fechasse as portas.

  • Shuttle America (1995 – 2017)
https://www.flickr.com/photos/10560418@N07/5593829361

©concord977

A companhia regional americana começou voando turboélices de Trenton, em Nova Jérsei, para Boston e Greensboro. Próximo ao milênio ela se tornou uma aérea parte da US Airways Express, marca regional da então US Airways, utilizando aeronaves Bombardier Dash 8-100 e Saab 340. Eventualmente foi comprada pela mega aérea regional Republic Airways. Esta, quando declarou falência alegando falta de pilotos, decidiu que iria operar como uma só empresa, acabando com todas as suas subsidiárias, inclusive a Shuttle America.

  • New Leaf: companhia aérea virtual de verdade (2016 – 2017)

© RAF-YYC

A canadense New Leaf começou com uma proposta bem inusitada: ser uma companhia aérea ultra-low-cost mas sem ter nenhum avião em sua frota. Sim, você não leu errado. A ideia era a New Leaf ter um site próprio, definir as rotas e preços, mas a operação em si seria feita pela Flair Airlines.

A ideia não deu muito certo, os preços não eram tão mais baratos e a sua principal concorrente, a WestJet, batalhou contra colocando mais voos nas rota da New Leaf, que acabou por fechar as portas e ser comprada pela própria Flair Airlines.

  • Tigerair (2004 – 2017)

A imagem de um avião da Tigerair voando ainda é visível em diversos aeroportos mesmo com a companhia fechada, e vamos explicar o porquê disso. A Tigerair foi fundada originalmente pela Singapore Airlines em parceria com a Indigo Partners (a mesma que fez a maior encomenda de aviões da história).

Começou como uma pequena aérea de ultra-baixo-custo mas cresceu rapidamente no mercado do sudeste asiático. A Singapore ao longo do tempo foi adquirindo mais e mais participação na empresa. E para ajudar a consolidar sua outra subsidiária de baixo custo, a Scoot (considerada a primeira aérea de baixo custo a fazer voos intercontinentais), a Singapore então acabou com a marca original Tigerair em julho. Mas ainda é possível ver aviões Tigerair sob a marca Tigerair Australia, que possui participação da Virgin Australia, e da mesma maneira a Tigerair Taiwan que é da China Airlines.




  • Eastern Air Lines, sim, de novo! (2015-2017)

Os leitores de maior idade irão se lembrar da Eastern Air Lines voando no Brasil nos anos 80. A empresa foi fundada originalmente em 1926 e fechou as portas em 1991. A marca da icônica companhia retornou em 2015, com bastante propaganda e festa em Miami, base original da Eastern.

A companhia iniciou como charter, realizando voos para Cuba atendendo os cidadãos cubanos que voavam dos EUA para Cuba para visitar sua família. Este tipo de voo só pode ser comprado através de agências de viagens e é cheio de restrições. Com a visita do Obama a Cuba e a volta do consulado americano ao país caribenho, diversas aéreas como a American, Southwest e Alaska tiveram a oportunidade de fazer voos regulares para o país.

Houve uma grande repercussão na época, e previa-se um grande volume de tráfego regular entre os dois países, até então limitados a um público em específico. A ideia foi boa de início, mas com a entrada de Trump na presidência, os voos ficaram restrito novamente à familiares e poucos tipos de turismo, e muitas rotas foram canceladas pelas grandes empresas aéreas.

O que afetou também a Eastern, que dependia dos voos para Cuba e de alguns voos fretados. Apesar de ter encomendado o Boeing 737 MAX e os jatos regionais Mitsubish MRJ90, fechou as portas em novembro e foi incorporada à Swift.

  • Aeropostal (1929-2017)

A companhia aérea venezuelana Aeropostal teve diversos altos e baixos durante seus 88 anos de existência, tendo sido privatizada e restatizada. Operava uma frota de McDonnell Douglas MD-82 e foi a primeira aérea da Venezuela. Terminou sua história como mais um símbolo do falido país comandado pelo ditador Maduro.

  • Monarch Airlines (1968 – 2017)

Uma das mais antigas “leisure airlines”, como são chamadas as aéreas que têm como principal mercado e foco o passageiro turista, contando com muitas vendas através de pacotes de viagens. Sofreu bastante com a concorrência das low-costs na Europa, principalmente com a também britânica EasyJet e a vizinha irlandesa Ryanair.

Fechou a portas quando o governo decidiu por não renovar seu certificado de operador, e da noite para o dia deixou quase 100 mil britânicos sem poder chegar ao seu destino. Um grande plano de “resgate” destes passageiros foi feito utilizando inclusive aviões da Qatar Airways.

  • Thomas Cook Airlines Belgium (2002 – 2017)

© Alan Wilson

Braço belga do grupo de turismo Thomas Cook, foi totalmente vendido para o Grupo Lufthansa. Os cinco aviões A320, funcionários e slots foram para a Brussels Airlines, subsidiária do Grupo Lufhtansa. Em troca, a Brussels Airlines agora é parceira da Thomas Cook e seus voos estão inclusos nos pacotes de viagens vendidos pela Thomas Cook.

  • Air Berlin (1979 – 2017)

Provavelmente a falência mais comentada na aviação em 2017 depois da Monarch. A Air Berlin era a segunda maior aérea da Alemanha e foi fundada por americanos na época que Berlim ainda era dividida. Com a abertura do mercado europeu e o surgimento das low-costs, a empresa começou a perder mercado.

Começou como uma leisure airlines, mas já tentou ser low-cost e, nos últimos anos, estava apostando no mercado de longo curso. Sem foco, comprou a alemã LTU, a suíça Belair e a austríaca NIKI. Mesmo incorporando as aéreas, as perdas persistiam. Em 2011 a Etihad Airways apostou muito na companhia, mesmo esta acumulando prejuízos atrás de prejuízos.

A insistente companhia árabe perdeu a paciência e saiu da Air Berlin. Logo após, a companhia declarou falência e fechou as portas meses depois, em outubro de 2017. Boa parte de sua estrutura foi adquirida depois pela Lufthansa.

  • Belair (1925 – 2017)

© Peter Bakema

Começou como Balair em 1925 na Suíça. Anos mais tarde cresceu operando voos para a Swissair, e foi incoporada à mesma nos anos 50, continuando como operadora de voos charter para a grande empresa suíça. Quando a Swissair faliu em uma história similar à da Air Berlin – comprando diversas aéreas e sem uma boa estratégia – a Belair tentou achar o seu meio novamente.

Infelizmente ou felizmente a Air Berlin, em 2007, adquiriu 49% da companhia e dois anos depois comprou o restante das ações. Funcionou como um braço da Air Berlin na Suíça, fazendo voos de Zurique, Basel e Genebra para as Ilhas Canárias e a região do Mediterrâneo. Apesar da marca Belair ter desaparecido ao longo dos anos, ainda mantinha o código de voo 4T/BHP e tinha seu certificado de operação próprio. Sumiu de vez com a falência da Air Berlin este ano.

  • NIKI 

© Clément Alloing

Fundada pelo piloto de Fórmula 1 Niki Lauda, a companhia era parte da Air Berlin, porém fechou as portas um pouco depois após continuar a operar os voos de maneira independente. Rumores apontavam que o próprio Niki Lauda estava disposto a recomprar a NIKI, mas no final o grupo IAG fundado pela British Airways e Iberia comprou a empresa austríaca, que agora será integrada à Vueling Airlines.

Outras aéreas menores que fecharam as portas em 2017:

  • Air Carnival
  • Air Labrador
  • Air Norway
  • Air Via
  • Atlas Atlantique
  • Ava Air
  • Avior Regional
  • AZALJET
  • BoraJet
  • Britex Air Services
  • Bural
  • Cardiff Aviation Malta
  • Citywing
  • Darwin Airline
  • Dniproavia
  • Eaglexpress Air Charter
  • Florida West International Airways
  • Fly 365 Aviation
  • Fly Blue Crane
  • Fly County Aviation
  • Fly Kiss
  • Fly Marche
  • GLO
  • Go! Aviation Finland
  • Höga Kusten Flyg
  • Hummingbird Air
  • Innu Mikun Airlines
  • Island Air
  • Mega Maldives
  • Nextjet Canada
  • Pioneer Airlines
  • Sea Air Croatia
  • Skytaxi
  • Starbow
  • VECA Airlines
  • VIM Airlines
  • Virgin Samoa
  • Yute Air
  • Wings of Alaska

 

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos