Congonhas terá EMAS para segurar aeronaves no fim da pista

Receba essa e outras notícias em seu celular, clique para acessar o canal AEROIN no Telegram e nosso perfil no Instagram.

Mais de treze anos após o maior acidente aéreo do país, que aconteceu no Aeroporto de Congonhas, o terminal paulista irá contar com um sistema moderno de parada de aeronaves.

O sistema denominado de EMAS, em inglês Engineered Materials Arrestor System, ou sistema de materiais de engenharia para detenção de aeronaves, será instalado no aeroporto mais central da maior cidade do país. O contrato foi fechado com a empresa suíça KIBAG e anunciado pelo diretor de construções Philipp Althaus em seu perfil no LinkedIN.

Segundo a publicação de Althaus, o acordo com a Infraero prevê a instalação da área de EMAS nas cabeceiras das pistas 17R e 35L, que são as maiores e mais utilizadas, e também onde se desenvolveu o acidente do voo TAM-3054 em 2007, vitimando 199 pessoas.

Apesar do relatório do CENIPA apontar como causas principais da saída da aeronave da pista a potência contínua num dos motores, que estava com o reverso inoperante (embora este recurso não seja utilizado para cálculo de pista), outros fatores que contribuíram para a tragédia foram a falta de aderência na pista, escoamento e um sistema similar ao EMAS.

Pedimos à Infraero mais informações sobre o projeto e, quando recebermos, publicaremos a respeito.

Croqui do projeto – Reprodução LinkedIN (Philipp Althaus)

Mas afinal, o que é EMAS?

É um sistema composto por materiais que causam atrito à aeronave, que acaba afundando e atolando na sua superfície, sem sair da pista e sem causar grande dano ao avião, como demonstrado no vídeo abaixo.

Ele se assimila muito às áreas de escape que há em algumas rodovias brasileiras, feitas de britas e outros materiais e que servem para os caminhões e ônibus pararem caso percam o freio na descida.

No caso de Congonhas, o projeto compartilhado pelo executivo da KIBAG mostra que será necessário fazer um platô para elevar no fim da pista, para que se não diminua o comprimento da mesma. Com isso, o barranco no final de ambas as cabeceiras ficará mais a frente, criando uma extensão de terra para a instalação do EMAS. Vale lembrar que após um uso, o EMAS deve ser reconstruído na parte afetada, assim que a aeronave for retirada.

Já se utilizou este sistema dezenas de vezes, sem nenhuma vítima grave. Um dos casos mais famosos aconteceu quando um Boeing 737 com o então candidato à vice-presidência Mike Pence, saiu da pista no Aeroporto de LaGuardia (bem comparável à Congonhas dado seu porte, localização e movimento) e uma tragédia maior foi evitada pelo EMAS (abaixo).

A obra ainda não tem data de início definida, já que depende da elaboração do projeto básico, projeto executivo antes da execução. Também não existe uma previsão para a finalização da instalação.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

Veja outras histórias