Conheça o CMA GOL, maior Centro de Manutenção de Aeronaves da América Latina.

CMA Gol
Recentemente fomos convidados pela GOL Linhas Aéreas para conhecer seu complexo tecnológico e de manutenção em Belo Horizonte. Trata-se do maior Centro de Manutenção em termos de quantidade de tarefas que podem ser executadas ao mesmo tempo.




Inaugurado no ano de 2006, o CMA está situado em 47.387 m² de área construída e pode receber até sete aeronaves simultaneamente para manutenção, que são distribuídas em três hangares. Os hangares 1 e 3 são utilizado para manutenção pesada e preventiva das aeronaves, e o hangar 2 utilizado para pinturas das aeronaves. Quando há necessidade, na ausência de aeronaves para pintura este último pode ser utilizado para manutenção.

Quem nos orientou nesta visita foi o gaúcho Alexandre Pereira Novaski, coordenador de manutenção da Gol há 13 anos. Ele nos conta que chegou ao CMA quando ainda estava na planta, e que viu tudo aquilo crescer e se transformar ao longo dos anos. Novaski fala do CMA com muito orgulho e satisfação e nos mostrou os principais detalhes das aeronaves, esclarecendo duvidas e curiosidades de todos os convidados.

Nossa visita teve inicio no hangar 1, onde a Gol realiza serviços de manutenção pesada de fuselagem, manutenção preventiva e configuração interna de toda a frota. Pudemos conhecer como é realizado o famoso check C nas aeronaves, que ocorre a cada 2 anos.

No hangar 1 havia duas aeronaves realizando manutenção. Uma delas, o Boeing 737-700 PR-GIH, estava passando por adequações e atualizações do sistema conhecido como NGS (Nitrogen Generation System). O NGS é um componente que ajuda na redução do oxigênio nos tanques de combustíveis colaborando com a economia e desempenho das aeronaves.

A outra aeronave que encontrava-se no hangar 2 era o Boeing 737-800 PR-GTR, que realizava o check C4. Isso significa que a aeronave está há 8 anos na empresa, e esse é o intervalo de tempo para que seja executado o C4. Apesar da manutenção super rigorosa e detalhada, a aeronave logo voltaria a malha sem receber a pintura com a nova marca.

Enquanto isso, no hangar 2, um outro Boeing 737-700 passava pelo processo de pintura, o PR-GOH, primeiro 700 a receber a nova marca Gol.

Algumas curiosidades foram esclarecidas durante a nossa visita ao CMA. Conversamos sobre a potência de cada motor que, segundo o fabricante, todas as aeronaves 737 foram desenvolvidas para voar com um motor apenas. Na eventualidade de um deles apresentar algum tipo de problema durante o voo, a aeronave poderá continuar o voo tranquilamente com o outro funcionando.

Outro assunto abordado nesta visita foi a localização das famosas caixas-pretas. Novaski nos informou que elas ficam localizadas na traseira da aeronave, uma próxima ao lavatório, na parte superior da galley, e a outra embaixo, junto ao compartimento de carga. Cada caixa-preta desenvolve uma função diferenciada. Uma tem como função gravar todas as conversas da cabine, e a outra grava todos os dados e informações sobre o voo. A autonomia de gravação é de 3 horas.

Uma das tarefas mais complexas realizadas no CMA é a substituição do Frame (batente) dos para brisas. A companhia é pioneira na execução neste tipo de serviço, que foi desenvolvido em conjunto com a Boeing e que leva em média sete dias para ser concluído.

Chegando ao hangar 2, alguns detalhes não poderiam passar batidos. Novaski chamou nossa atenção para observar os exaustores de ar, localizados no teto. Um positivo, para trazer ar puro à oficina de pintura, e um negativo localizado nas laterais, para sugar o ar com impurezas e resíduos impedindo que volte à aeronave em processo de pintura.

Sobre a pintura das aeronaves, para quem esperava um processo altamente robotizado para justificar o acabamento impecável dos aviões que até parecem de brinquedo, a surpresa: a maior parte das etapas é realizada manualmente por pessoas, desde a remoção da pintura anterior até os acabamentos finais.

A pintura de um 737 pode levar de 8 a 12 dias para ficar pronta. O serviço exige raspagem e remoção química da pintura antiga, aplicação da base primer e anti-corrosivos, colagem do stencil e a pintura final. Etapas realizadas por vários funcionários, cujo resultado impressiona de tão preciso que até parece um adesivo impresso.

A água utilizada para a lavagem das aeronaves, oficinas, peças, piso, pias de mão da manutenção e do posto médico é tratada na ETE (Estação de Tratamento de Efluentes Químicos). Após o tratamento, parte da água é reutilizada dentro do próprio CMA, em atividades como limpeza de pisos, vasos sanitários, equipamentos e materiais não metálicos. O CMA da Gol atende a todas as normas de licença ambiental e legislações, e possui um plano de gerenciamentos específicos para cada resíduo gerado na manutenção ou pintura de aeronaves.

No hangar 3, uma grata surpresa: o Boeing 737-800 PR-GTA já ostentava as novas cores da companhia aérea e já preparava-se para em breve voltar à malha da companhia. Além dele, no havia ali mais dois Boeing 737-800, PR-GUK e PR-GTH, que estavam realizando manutenção preventiva antes de voltar à ativa.

As janelas das aeronaves são feitas em acrílicos, e a variação de temperaturas durante o voo causam erosão do material ao longo do tempo, o que as deixam com pequenas rachaduras como se estivessem trincadas. A Gol tem uma oficina especializada em reparo das janelas e pára-brisas das aeronaves, e com uma curiosidade: é operado somente por mulheres. Segundo pesquisas, as mulheres têm o tato mais apurado e preciso, por este motivo todos os cuidados de polimento são feitos por elas manualmente.

Uma janela pode demorar em média de uma a oito horas para ficar apta para voltar à ativa. Existem casos de janelas que passaram mais de 24 horas no polimento para ficarem com 100% de qualidade. As mulheres que cuidam deste serviço chegam a utilizar até onze tipos de lixas para polir as janelas, que em seguida passam por inspeção de controle de qualidade.

Novaski nos informou que no CMA da Gol nada é descartado e jogado fora. Os materiais que não possuem mais condições para voltar à ativa viram presentes e troféus que são entregues aos funcionários e colaboradores em datas especiais.

Os painéis laterais das aeronaves são feitos a partir das fibras de bananeiras, sendo super resistentes e leves. Os revestimentos e as superfícies são aquecidos e fundidos por uma grande máquina a vácuo que ajuda a eliminar eventuais bolhas.

No CMA também há uma grande oficina de reparo de poltronas, com uma equipe de hábeis costureiras e profissionais especializados em reparos e manutenção de poltronas.

Uma dúvida me surgiu: em caso de indisposição durante o voo, como a companhia aérea limpa os assentos sujos com este tipo de problema?

Novaski respondeu que esta situação é super comum com quem viaja de avião hoje em dia, e em todas as bases da Gol espalhadas no Brasil e países atendidos pela companhia aérea existem capas de poltronas reserva para substituição e limpeza quando necessário.

No caminho para o centro que cuida dos reparos de freios e pneus perguntei como funciona a malha aérea da Gol. Novaski me respondeu que a malha aérea é desenhada pelo time de Planejamento de Malha da companhia, que estuda toda as conexões e onde cada aeronave deve estar no horário planejado para, assim, conduzir os passageiros até o seu destino final. A malha aérea não para, ela funciona 24 horas por dia, e o tempo vago de cada aeronave em solo é aproveitado para fazer a manutenção de rotina.

O setor que cuida das inspeções e reparos de pneus e freios da Gol é um verdadeiro centro de qualidade. Todos os sistemas passam por cuidados especiais antes de serem instalados nas aeronaves. Os freios dos trens de pouso recebem inspeção por banhos químicos e ultrassom para identificar eventuais fissuras e rupturas no material.

Na borracharia do CMA da Gol o serviço é pesado e todos os funcionários e visitantes precisam utilizar protetores nos ouvidos para poder permanecer no local. Os cuidados são bem parecidos com os dos freios, mas a curiosidade em torno dos detalhes que envolvem o pneu de um avião fez com que nossa visita se tornasse um grande aprendizado. Em média, a cada 200 pousos e decolagens um pneu deve ser substituído. Se nesse período apresentar algum tipo de anormalidade que condene seu uso, o pneu volta ao CMA da Gol para nova perícia.

Um dos pontos mais curioso, foi saber que os pneus das aeronaves são enchidos com nitrogênio. Isso ocorre para manter a segurança durante os pousos, pois o nitrogênio é muito menos suscetível ao risco de explosão ao tocar o solo. Ele nos lembrou que os pneus esquentam muito, atingindo até 80°C, enquanto os freios chegam aos 500°C. O calor faz o interior do pneu liberar compostos de enxofre em forma de gás que, em contato com o oxigênio, poderiam explodir. Já o nitrogênio é um gás que não entra em combustão com facilidade e leva vantagens sobre outros gases com a mesma característica. No final dos anos 80 um acordo internacional tornou obrigatório o uso do nitrogênio nos pneus aeronáuticos traseiros, onde se localiza o sistema de freio.

Ao sair do setor, recebemos uma notícia ruim. Havia terminado nossa visita ao Centro de Manutenção de Aeronaves da Gol em Confins. Mas volto para casa muito satisfeito com a visita e impressionado com o excelente trabalho executado pela companhia aérea.

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Luis Neves

É agente de turismo e acompanha a evolução da aviação brasileira desde o final da década de 80. Fotografa tudo o que voa e tem uma das maiores coleções de fotos de aviação do Brasil.