Conheça o polêmico ‘Asa de Sião’, o avião do primeiro-ministro de Israel

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O Asa de Sião. Imagem – Rami Mizrahi – Wikimedia

Uma aeronave tem causado polêmica em Israel. Trata-se de um Boeing 767-300ER com configuração VIP que foi adquirido pelo governo israelense para atender às viagens oficiais do primeiro-ministro, atualmente Benjamin Netanyahu. O avião oficial foi apelidado de “Air Force One” de Israel, em referência ao célebre avião presidencial norte-americano, assim chamado quando o presidente está a bordo.

Constantes atrasos, custos cada vez maiores e a crise causada pela pandemia colocaram o avião em meio a uma grande polêmica, o qual segue sem voar mesmo depois de consumir milhões de dólares em dinheiro público. O jornal israelense Haeeretz trouxe uma interessante matéria sobre a aeronave, mas também com algumas críticas. 

Sistema criptografado

Por décadas, as viagens oficiais dos chefes de estado de Israel para o exterior, quando ocorriam, eram feitas em aviões militares da Força Aérea ou em um voo fretado da El Al, a companhia nacional. Conforme as visitas internacionais do primeiro-ministro foram se tornando mais frequentes, o custo das operações cresceu acima do desejado, assim como as exigências de segurança.

A necessidade de um sistema criptografado de informações e mais recursos de defesa levou à necessidade de um avião dedicado ao primeiro-ministro. Em 2014, o governo autorizou a compra de um avião dedicado que serviria tanto ao primeiro-ministro, quanto ao presidente da república, em viagens ao exterior (no parlamentarismo o primeiro ministro é o chefe de governo, enquanto o presidente representa o país em missões diplomáticas).

O governo optou por adquirir um avião usado e reformá-lo, de acordo com as necessidades e a aeronave escolhida foi B767-300ER que, por 20 anos, foi utilizado pelas australianas Australian Airlines e Qantas. O avião, contudo, passou dois anos em hangar na Califórnia, Estados Unidos, antes de seguir para Israel, em 2016. Naquele ano, a conversão para uma aeronave governamental teve início, mas sucessivos atrasos fizeram com que o projeto levasse o dobro do tempo para ficar pronto.

Caro e atrasado

De acordo com o Haeeretz, além do atraso, o custo também gerou constrangimento ao governo. O orçamento original para a compra, conversão e atualização do Boeing era de 393 milhões de shekels (US$ 115 milhões) em 2016. Até o primeiro voo, em 3 de novembro de 2019, o avião já havia consumido 580 milhões de shekels (US$ 176 milhões).

No voo inaugural, ainda em fase de testes, a aeronave ostentava uma bela pintura azul e branca oficial e matrícula 4X-ISR.  O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu batizou o novo jato de Knaf Tzion (“Wing of Zion” ou Asa de Sião). Mas a aeronave pouco voou. Poucas semanas depois, com o estouro da pandemia de COVID-19 e as projeções de que a operação do Boeing custará 44,6 milhões de shekels (US$ 13,56 milhões) anualmente, Netanyahu suspendeu a utilização da aeronave em meio a críticas por ostentação.

No momento, não há previsão sobre o futuro do avião. As operações continuam em fase de testes e o primeiro-ministro continua utilizando voos fretados para as poucas viagens oficiais que tem realizado. Ainda não há prazo para que a Força Aérea Israelense assuma a aeronave. Enquanto isso, o avião segue em aprimoramento.

Imagem Haeeretz

Imagens internas

Infelizmente, não há imagens internas da aeronave, mas muitas informações sobre configuração já foram divulgada pela imprensa israelense. Com muito luxo, o Asa de Sião possui uma suíte particular com cama e chuveiro reservada ao primeiro-ministro. Há também uma cozinha bem equipada, ao lado de um escritório de trabalho particular e uma sala de reuniões com instalações para videoconferência. Na parte de trás, há fileiras de assentos para equipe de governo e convidados e, mais ao fundo, uma área de imprensa.

Imagem Haeeretz

Os equipamentos de segurança também são alvo de muita especulação. Sabe-se da existência de um avançado sistema de defesa antimísseis Sky Shield. Desenvolvido pela empresa Elbit, o Sky Shield usa sensores infravermelhos para detectar mísseis lançados por ombro a partir do solo e dispara um laser que desvia o disparo. O sistema de comunicação criptografado garante alta privacidade das informações trocadas por rádio ou telefone a bordo.

O Asa de Sião ficará sob o comando do Squadron 120, da Força Aérea Israelense, que opera os aviões-tanque Boeing 707 de reabastecimento aéreo. O Esquadrão também deve adquirir, em breve, o tanque do modelo KC-46, que é baseado no Boeing 767.

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Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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