A história do Boeing 727 que saiu da pista com o time do Corinthians a bordo

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Foto DGAC Ecuador

Se o passado do time do Corinthians revela uma história de conquistas no futebol, desde que foi fundado em 1º de setembro de 1910, ele também tem episódios memoráveis fora do gramado. Uma dessas histórias que ficam na memória para sempre é a que contamos aqui, quando todo o time e demais ocupantes se salvaram de uma tragédia no Equador.

Em 1 de maio de 1996, após uma vitória fora de casa por 3 a 1 contra o Espoli, pela Libertadores da América, o clube alvinegro paulista voltaria para São Paulo a bordo de um Boeing 727-200 fretado com a companhia brasileira FLY Linhas Aéreas, especializada em voos turísticos e especiais. A bordo, seguiam 90 pessoas, entre atletas, comissão técnica, jornalistas e tripulantes.

Abortando a decolagem

Uma reportagem da época, feita pela Revista Veja, informava que a chuva era forte no perigoso Aeroporto Internacional Mariscal Sucre, em Quito, no momento em que o trimotor de matrícula PP-LBY iniciou sua partida. No cockpit, o comandante Cledir da Silva havia cumprido todas as checklists e próximo das 17h locais já estava pronto para a decolagem.

Manetes de potência à frente e o jato começa a ganhar velocidade na pista. Mas algo não vai bem e o comandante decide abortar o procedimento com a aeronave já correndo a cerca de 200 km por hora na molhada pista equatoriana. Frenagem ao máximo, mas o avião não dá sinais de que vai parar, enquanto que, adiante, a pista parece cada vez menor. Até que o lamentável acontece e o Boeing 727 já está rumo a um barranco.

Foto DGAC Ecuador

Em seguida, não teve muito a ser feito pelos ocupantes senão assistirem perplexos e a gritarem, pensando no pior, enquanto o grande jato vai arrastando tudo à sua frente, incluindo marcações luminosas da pista, grades, muros, até finalmente parar numa via da capital equatoriana.

Enquanto o avião arrebentava tudo pela frente, seu tanque de combustível se rompe e jorra pelo caminho, encharcando o terreno e pegando fogo. A chuva forte e a lama ajudam e não há uma explosão. Os bombeiros são rápidos e eficientemente controlam o incêndio, enquanto o time do Corinthians, torcedores, equipe de suporte, tripulantes e jornalistas correm e se lançam pelas escorregadeiras abertas nas portas da aeronave.

Todos estão vivos. Nasceram de novo.

O que houve

À Veja, na época, a Fly disse que, desde que a aeronave foi adquirida, quarenta dias antes, não havia nenhum sinal de problemas em nenhum de seus voos e que o jato havia passado por todas as certificações. Acontece que a aeronave havia feito apenas um voo doméstico no Brasil antes do fretamento para o Corinthians e, ainda assim, sob condições completamente diferentes. O comandante também disse não saber o que houve, mas a verdade apareceu algum tempo depois.

Fonte: Veja 1996

Posteriormente, na investigação, ficou evidenciado que um erro no cálculo de performance fez com que o jato estivesse com 9.700 quilos a mais do que o recomendado para aquelas condições meteorológicas e geográficas. Com isso, durante a corrida de decolagem, o comandante Cledir percebeu logo que a pista seria insuficiente para a decolagem e comandou uma frenagem abrupta quando faltavam cerca de 500 metros para o final da pista.

Um erro grave de cálculo de performance, que poderia ter custado a vida de muitos, incluindo jogadores famosos como o goleiro Ronaldo, Zé Elias e Edmundo.

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Carlos Roman
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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