Covid-19: Estudante russo está “morando” no aeroporto de Frankfurt desde abril

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Jovem russo, que teria ido para a Alemanha para estudar, está vivendo na área de trânsito no aeroporto de Frankfurt, por conta das restrições de combate ao novo coronavírus. Ele ainda não pretende voltar para seu país natal.

Imagem: Fraport AG Frankfurt.

O jovem estudante russo, Mikhail Novosyelov, de 23 anos de idade, chegou no último dia 17 de abril a Frankfurt em um voo fretado especial proveniente da capital russa, Moscou. Veio com o desejo de estudar um semestre na Universidade Humbolt, em Berlim, segundo relata o Deutsche Welle.

Mas, o caos provocado pela disseminação global da Covid-19 o pegou pelo caminho. Impedido de entrar no país devido às restrições impostas para combate à pandemia, e sem voos de retorno para a Rússia, ele permanece na área de trânsito do aeroporto.

A bordo do voo fretado de resgate, vieram com ele mais 133 pessoas, a maioria com residência no país germânico, porém, para Novosyelov as coisas correram de maneira diferente.

À imigração alemã, ele não conseguiu demonstrar razões de que tinha necessidade urgente ou necessária de entrar no país. Países membros da União Europeia mantém restrições de entrada, em vigor desde 17 de março, para visitantes de países fora do bloco, caso da Rússia.

Ao Deutsche Welle, Novosyelov declarou que esta é a sua última chance de estudar no exterior, e não é a primeira vez que ele tem recusada a entrada no país.

Cerca de um mês antes, ele teve negada a permissão de entrar na Alemanha por não conseguir provar onde ficaria enquanto estivesse no país. Ele afirma que lhe havia sido prometido um quarto em uma república, e o que faltava era a assinatura no contrato com a Universidade. Mas as autoridades alemãs não aceitaram o argumento.

A vida no terminal

Após o choque inicial, Novosyelov começou a se estabelecer na área de trânsito do aeroporto. Segundo ele, um funcionário da Lufthansa, que conheceu por acaso, começou a ajudá-lo depois que ele lhe contou sua história.

Esse funcionário teria conseguido para ele uma cama dobrável, para que ele pudesse dormir mais confortavelmente na zona de trânsito. De outros funcionários do aeroporto, ele começou a receber alimentação. Recebeu tokens de chuveiro para que pudesse se limpar um pouco. Ele ainda está na espera para recuperar suas malas.

O jovem russo diz que passa a maior parte do tempo sozinho, andando de um lado para o outro pelo imenso e quase deserto aeroporto. Diz que às vezes conversa com os poucos outros passageiros que vê, entre eles três búlgaros que também tiveram sua entrada negada na Alemanha.

Sem ideia de quando voltará para casa

Novosyelov aguarda para voltar para seu país, mas sem ideia de quando isso irá ocorrer. Ele comentou que a polícia alemã pensa em colocá-lo em um voo para Minsk, na Bielorrússia, de onde ele seguiria para casa por meios próprios.

Porém, este plano preocupa o jovem russo: “Não está claro como vou conseguir me proteger da contaminação quando chegar lá e como vou entrar na Rússia – suas fronteiras também estão fechadas”.

As autoridades alemãs retiveram o passaporte do estudante russo, concedendo a ele apenas um passe de trânsito para o retorno.

Sem perder a esperança

Apesar de tudo, Novosyelov não perdeu a esperança de entrar na Alemanha. Ele está tentando registrar um local de residência com autoridades em Berlim através de serviços online.

Ele está convencido de que, se sua tentativa for bem-sucedida, seria suficiente para mudar a mente dos agentes de fronteira. Amigos recomendaram a ele um advogado para estudar o caso.

O jovem diz que não representa ameaça para os outros. Ele testou negativo para o coronavírus em Moscou, e diz estar mais do que disposto a fazer outro teste na Alemanha. “Eu também poderia me colocar em quarentena no meu dormitório por duas semanas se eles me deixassem entrar no país”, acrescenta ele.

Ele também admite que sabia que estava se arriscando ao embarcar no segundo voo para a Alemanha, mas diz que o fez por desespero: “Eu não sabia se teria a chance novamente. Meu visto poderia expirar. E agora eles não estão emitindo novos”.

Alguém se lembrou de Hollywood? A vida imita a arte, ou a arte imita a vida?

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Rodnei Diniz
Engenheiro aeronáutico e mecânico, atuante em gestão de manutenção aeronáutica, aviação geral, executiva e comercial. Atento aos detalhes, gosta de ler e escrever sobre a história da aviação.

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