Criança autista é desembarcada de voo por não conseguir usar máscara

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A forma como as companhias aéreas têm buscado se adaptar às novas normas de saúde e controle sanitário, implementadas pelas autoridades de saúde, têm causado muitos problemas ao redor do mundo.

Avião Boeing 737 MAX 8 Southwest
Imagem: Tomás Del Coro / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Um caso ocorrido no embarque de um voo da aérea americana Southwest, que partia de Portland, no Oregon, para San José, na Califórnia, em 18 de novembro, estampou as notícias de portais do mundo inteiro quando uma menina chamada Mya, de 15 anos, autista, foi desembarcada do voo por não conseguir usar a máscara de proteção facial.

Mya estava embarcando com sua família para um período de férias na ensolarada Califórnia quando, já no avião, foi abordada por um membro da tripulação exigindo que vestisse a máscara de proteção facial. Mesmo a família tendo explicado que Mya tem autismo e sensibilidade sensorial, o que pode dificultar o uso de máscaras por um longo período, a tripulação foi irredutível e solicitou que a criança deixasse a aeronave.

A mãe de Mya, Jennifer Tharpe acatou a ordem e desembarcou com Mya, enquanto o resto da família continuou sua jornada para San José.

“Ela estava realmente chateada e chorando, estava ansiosa pela viagem e pelo voo”, disse Tim Cleary, pai de Mya.

Jeniffer fez questão de salientar que não está protestando contra o uso das máscaras, inclusive que ela pensa que a filha deve usá-las, mas a sua condição dificulta a situação. “Pensei que houvesse exceções para pessoas que não conseguem seguir as normas”.

Segundo a mãe, o piloto estava ressentido com a situação, mas funcionários da Southwest decidiram que Mya deveria desembarcar, mencionando as diretrizes da empresa que citam a obrigatoriedade de todos os passageiros maiores de 02 anos usarem máscaras de proteção facial, independente das circunstâncias.

“Se um cliente for incapaz de utilizar a máscara de proteção por qualquer motivo (mesmo um motivo médico comprovado), nós infelizmente seremos incapazes de transportar esse passageiro nesse momento específico, devido ao risco de contágio da COVID-19 através de passageiros assintomáticos sem máscara”, diz o website da Southwest.

Apesar da obrigatoriedade do uso das máscaras ser uma norma defendida também pelo CDC – Centers for Desease Control (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), o procedimento da companhia com Mya e com outras pessoas com restrição ao uso de máscaras vai contra o que diz o próprio CDC.

“Usar máscaras pode ser difícil para algumas pessoas com problemas sensoriais, cognitivos ou comportamentais. Se eles forem incapazes de utilizar a máscara da forma correta ou não consigam tolerar o uso, não devem usar uma. Adaptações e alternativas devem ser consideradas”, diz o site da CDC.

Pessoas com autismo podem ter problemas se sentirem toque ou cheiro intensificados, de forma que a máscara pode parecer sufocante, e eles têm dificuldade para mudar sua rotina. Ainda, indivíduos com deficiência de aprendizagem podem precisar ver o rosto de seu cuidador para ter segurança e se comunicar.

Outras condições especiais

Além da condição especial de Mya, existem doenças que podem fazer com que os passageiros solicitem viajar sem máscara.

De acordo com o portal New Scientist, ao contrário do que alguns cientistas afirmam, as coberturas faciais não reduzem a quantidade de oxigênio no sangue e nem aumentam a concentração de dióxido de carbono, o que não impossibilita uma pessoa com asma de usar as máscaras.

Porém, para as pessoas com enfisema e fibrose pulmonar, o uso das máscaras pode ser um problema devido ao fato do nível de oxigênio nessas pessoas já ser baixo, e o uso das máscaras pode enviar um ‘sinal enganoso ao cérebro de falta de ar’.

Além disso, o uso das máscaras pode causar ataques de ansiedade e pânico em pessoas vulneráveis, diz a organização de saúde mental britânica Mind.

Políticas de outras empresas

Outras empresas aéreas têm uma política um pouco mais flexível quanto à obrigatoriedade do uso de máscaras em casos especiais.

A United Airlines direciona os passageiros que tiverem ‘circunstâncias extraordinárias’ quanto ao uso das máscaras para entrarem em contato com a empresa antes do voo e verificar a possibilidade de isenção.

A Delta já inclui em sua política que passageiros com restrições médicas para o uso de máscaras terão que passar por uma triagem médica.

A Hawaiian Airlines tem um procedimento parecido com a Delta, exigindo que os passageiros que solicitam isenção do uso de máscaras passem por uma avaliação médica no aeroporto.

O caso de Mya causou revolta nos passageiros que presenciaram a cena, segundo a NBC, Jennifer Clymer, uma passageira que estava presente no embarque da família de Mya, disse que as pessoas ficaram extremamente incomodadas com a atitude da empresa.

“Estávamos todos muito infelizes e achamos muito injusto que a família não pudesse fazer uma viagem só porque uma criança autista não entendia por que ela tinha que usar uma máscara”, disse Clymer.

Chana Bennett-Rumley, cliente da Southwest e mãe de 2 filhos autistas, iniciou uma petição para forçar uma mudança na política da companhia aérea quanto à exigência do uso de máscaras em casos especiais. A petição já acumulou 18.222 assinaturas de uma meta de 25.000.

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Claudio Brito
Apaixonado por aviação desde o berço como filho de comissário de bordo, realizou o sonho de criança se tornando comissário em 2011 e leva a experiência de quase 10 anos no mercado da aviação. Formado Trainer em Programação Neurolinguística, conseguiu unir suas duas paixões, comunicação e aviação.

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