Crise de ansiedade fez co-piloto abandonar o cockpit durante o pouso

Investigadores britânicos revelaram detalhes de uma análise referente a um incidente ocorrido em 30 setembro do ano passado em um voo de Londres para Glasgow, quando um Airbus A319 da Easyjet pousou com apenas um piloto na cabine. Os especialistas do Departamento de Investigação de Acidentes Aéreos (AAIB) informaram em seu relatório que o co-piloto daquele voo foi obrigado a deixar a cabine devido a um ataque de ansiedade.

A aeronave se preparava para pousar em Glasgow, na Escócia, com 148 passageiros e seis tripulantes a bordo, quando o copiloto se declarou incapacitado de prosseguir na operação do voo e saiu da cabine. O comandante não insistiu, mas informou ao controle de tráfego aéreo que o avião estava sendo operado ‘somente por um piloto’. O pouso transcorreu com normalidade e segurança e o co-piloto saiu numa ambulância.

Os investigadores descobriram que o co-piloto havia sido afetado por um pouso abortado na Espanha, no dia anterior.

Aeroporto de Glasgow

“Irritado consigo mesmo”

No dia anterior, o copiloto e o comandante voaram de Glasgow para Palma de Mallorca e voltaram. Durante a aproximação para Mallorca, uma mudança repentina de vento deslocou a aeronave do eixo da pista, resultando em uma arremetida. O co-piloto não havia experimentado esse tipo de incidente antes, disse a AAIB. Ele acreditava que era um evento assustador e sério, e isso teria lhe afetado.

Naquela noite, ele dormiu apenas cerca de quatro horas e, no dia seguinte, teria um novo bate-volta de Glasgow para Londres. O voo de ida transcorreu normalmente, mas, na volta, o cansaço da noite mal-dormida e a pressão psicológica o fizeram perder o autocontrole.

Ele estava “pensando demais” na necessidade de uma boa aproximação para a pista, disse um dos investigadores no relatório. Ao se aproximar de Glasgow, o comandante mencionou a possibilidade de ventos cruzados. Os investigadores concluíram que a menção ao vento pode ter sido o gatilho para a ansiedade exagerada do co-piloto.

O relatório da AAIB afirma que o comandante lembrou que o copiloto parecia “tenso” e “irritado consigo mesmo”, mas não achou que houvesse motivo para preocupação. O co-piloto, por sua vez, declarou que se sentia mal e achou que interferiria na segurança do voo se continuasse na cabine.

Após passar por exames e por psicólogos, ele voltou a voar meses mais tarde.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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