Curva do vômito preocupa pilotos e comissários em novo aeroporto alemão

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Vista aérea do novo Aeroporto Internacional Berlim-Brandemburgo. IMAGEM: Arne Müseler via Wikimedia Commons

NÃO É SÓ NO BRASIL que as obras atrasam. Na cronometrada Alemanha, o novo Aeroporto Internacional Berlim-Brandemburgo, que irá se tornar o principal terminal aeroportuário da capital alemã, está nove anos atrasado e bilhões de dólares acima do orçamento original. Mas, às vésperas da aguardada inauguração, outro problema chama atenção de tripulantes e futuros viajantes, além do assombroso andamento do projeto.

A curva do vômito

Para mitigar a poluição sonora nas regiões povoadas nos arredores do novo aeroporto, os pilotos precisarão fazer uma curva fechada que podem induzir determinadas pessoas ao vômito. O alerta foi dado uma organização de pilotos que estuda os planos de voos estabelecidos pelas autoridades do país e compartilhadas pelo site One Mile At a Time.

O que está sendo chamada como “a curva do vômito”, na verdade é tecnicamente conhecida como “Curva de Hoffman”. Cerca de 30 segundos após a decolagem, a uma altitude aproximada de 180 metros, os aviões iniciarão uma curva fechada, em torno de 75 graus. Essa manobra será necessária quanto o vento soprar do leste, o que forçará a utilização da pista 7R, que está a um ângulo de 70 graus do norte.

Essa sequência de decolagem, oficialmente conhecida como “LULUL1B”, atende aos padrões da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) e também foi aprovada pelo Escritório Federal de Supervisão de Controle de Tráfego Aéreo (BAF, na sigla em alemão). No entanto, tem sido alvo de críticas de profissionais da aviação.  A Associação Cockpit , que representa pilotos comerciais, afirma que a curva logo após a decolagem aumenta desnecessariamente o risco de segurança e torna o comandante mais suscetível a erros, já que precisarão estar preparados para uma curva íngreme poucos segundos após a partida.

A manobra também torna os movimentos de contingência mais arriscados, em situações como colisão com pássaros ou falhas técnicas. Isso sem falar no alto risco de vômito, já que a curva drástica logo após a decolagem pode aumentar o risco de enjoo, sobretudo em pessoas mais ansiosas no voo.

Seguro

Preocupadas com o maior risco de acidentes, entidades de segurança aérea tentam ações judiciais para proibir a Curva de Hoffman. Segundo o jornal alemão Der Tagesspiegel, o Tribunal Administrativo Superior de Berlim-Brandemburgo negou, até o momento, todas as ações judiciais contra a rota. Em declaração ao jornal, o BAF afirmou que a rota é segura e lembrou que, depois oficializado o plano de voo, os pilotos podem escolher uma segunda via disponível para uma subida reta mais longa.

A alternativa proposta pela Cockpit envolve a utilização dessa segunda rota como padrão para as decolagens, mas, devido a um tempo mais longo de voo e ao maior consumo de combustível, essa opção dificilmente será aprovada pelas companhias.

Embora procedimentos de decolagem com curvas fechadas existam em diversos aeroportos pelo mundo, são raros os casos em que isso ocorre apenas com foco na redução de ruído, sendo mais comum estar atrelados a topografia da região.

Como os movimentos já foram homologados pela autoridade de tráfego aéreo da Alemanha, é pouco provável que a situação mude até a inauguração do aeroporto, em 31 de outubro. Espera-se, contudo, que a tripulação avise aos passageiros sobre a curva fechada logo após a decolagem, para assim evitar sustos e, quem sabe, economizar alguns sacos de enjoo. Pelo visto, o Aeroporto Berlim-Brandemburgo vai continuar dando dor de cabeça (e de barriga) aos berlinenses.

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Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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