Dassault celebra 10 anos do hangar de manutenção no Brasil

A Dassault Falcon, divisão de aviões executivos da fabricante francesa, celebra 10 anos do hangar de manutenção que fica no aeroporto de Sorocaba, no interior de São Paulo.

Segundo o diretor sênior da Dassault Falcon, Remy St-Martin, o mercado da aviação executiva na América Latina está em plena expansão e motivou em 2009 a empresa acreditar na potencialização desse mercado e construir seu hangar no Brasil.

O hangar de manutenção da Dassault Falcon no Brasil, atende clientes brasileiros e de outros países. A Dassault Falcon espera adicionar mais técnicos de manutenção ao seu quadro em 2019.

“O Brasil sempre foi um mercado muito forte para a Dassault Falcon, então expandir nosso serviço aqui foi uma extensão natural de nossa filosofia de ‘o que for preciso’ para nossos clientes que se encontram no Brasil ou viajam com frequência para lá”, disse Eric Trappier, Chairman e CEO da Dassault Aviation. “Continuamos a investir em nosso centro de serviços próprio para fornecer o suporte líder da indústria que nossos operadores merecem e esperam.”

Os investimentos no último ano incluem a adição de ferramentas para realizar verificações de nível “B” para Falcons registrados no Brasil na família Falcon 7X e Falcon 2000, e a criação de um programa de Avaliação Pré-Compra (PPE) para aqueles que consideram adquirir um Falcon já usado. O programa inclui uma avaliação física completa da aeronave, verificações operacionais de sistemas e uma pesquisa de registros detalhados.

O DAS-Sorocaba possui certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), FAA, EASA além de autoridades de aeronavegabilidade da Argentina, Bermudas e Uruguai. Está autorizada a realizar a manutenção da linha e a maioria das inspeções principais nos modelos das séries Falcon 50, 900 e 2000, bem como no Falcon 7X e 8X. 

Além das inspeções e serviços de manutenção da estrutura da aeronave, a fábrica pode realizar manutenção da linha de motores nos modelos CFE-738; Honeywell TFE731 e Pratt & Whitney Canada PW307A, PW307D e PW308C. Também pode realizar procedimentos especializados de ensaios não destrutivos (END), tais como ensaios de penetração e de correntes parasitas. Uma oficina de baterias de serviço completa pode reparar, substituir ou carregar baterias principais e de emergência no Falcon ou em outros modelos de aeronaves.

A Dassault é o primeiro fabricante de aeronaves executivas estrangeiro a ter centro de serviços próprio no Brasil. 

O hangar de mais de 2 mil metros quadrados, foi instalado em Sorocaba como uma forma de escapar do congestionado aeroporto de Congonhas. 

O centro paulista conta com estoque de peças de reposição e ferramentas para garantir a manutenção das aeronaves Falcon que voam em toda a América Latina. “Mas 75% do potencial de todo o mercado do continente está no Brasil”, afirma St-Martin. A Dassault é especializada em jatos de cabine grande e de autonomia para cruzar continentes, como voos diretos de São Paulo à Nova York. 

O hangar no Brasil também ajuda a companhia a expandir a atividade nas regiões emergentes e reduzir ainda mais a dependência do mercado nos Estados Unidos.

A aproximação da Dassault, companhia de origem francesa, do mercado americano curiosamente ocorreu por meio de uma associação com a extinta PanAm. Na busca de aeronaves executivas para a sua frota, um representante da companhia aérea americana visitou a fábrica da Dassault em 1963. Desse contato surgiu, cerca de uma década depois, uma associação entre as duas empresas, chamada Falcon Jet Corporation. Em 1980, a Dassault comprou a participação da PanAm na sociedade. 

Com sede em Paris, o grupo Dassault, que além da aviação atua nos segmentos de eletrônica, comunicação e computação, mantém até hoje uma base nos Estados Unidos. Os modelos Falcon saem todos da fábrica de Bordeaux, no sul da França, para receberem o acabamento, incluindo a pintura escolhida pelo cliente, na fábrica instalada em Arkansas, no sudeste dos EUA.

Luis Neves

É agente de turismo e acompanha a evolução da aviação brasileira desde o final da década de 80. Fotografa tudo o que voa e tem uma das maiores coleções de fotos de aviação do Brasil.