David Neeleman lançará nova low cost com aviões Bombardier nos EUA

O setor de companhias aéreas dos EUA não perdeu dinheiro em quase uma década. Ele agora ganhou margens operacionais de dois dígitos por quatro anos consecutivos. Então, onde estão os empresários da aviação atraídos por esse sucesso? Onde estão todos os novos participantes? Finalmente, um está chegando. Ou melhor, retornando!




David Neeleman, que já fundou duas companhias aéreas nos Estados Unidos – Morris Air em 1984 e JetBlue Airways 2000 -, além da canadense WestJet em 1996 e da Azul Linhas Aéreas Brasileiras em 2008, está arrecadando dinheiro para lançar uma nova operadora low cost (de baixo custo) focada em aeroportos secundários nos EUA, de acordo com o portal Airline Weekly.

Quase um ano atrás, Neeleman negou relatos de que estava planejando uma nova companhia aérea dos EUA. De fato, a entidade que ele registrou na época, que em parte alimentou a especulação, não parece ser a envolvida agora. De qualquer maneira, suas intenções agora parecem claras, de acordo com uma fonte familiarizada com seus planos e corroborada por outra fonte, e baseada em uma apresentação vista pela Airline Weekly.

Neeleman não fica quieto por muito tempo. Em sua trajetória, também teve participação na Southwest antes de ajudar na criação da WestJet. E, atualmente, está essencialmente no comando da TAP Air Portugal.

Agora, ele parece estar fazendo um retorno importante para os EUA. Consultado no fim de semana pela Airline Weekly, Neeleman se recusou a comentar. De acordo com a fonte e a apresentação, ele planeja lançar uma nova companhia aérea que, por enquanto, é chamada de Moxy, armada com $100 milhões de dólares em capital inicial.

Parte desse dinheiro vem dos bolsos do próprio Neeleman. Mas também estão envolvidos o ex-CEO da Air Canada, Robert Milton, e o ex-CEO da ILFC, Henri Courpron. Com um baú de guerra tão substancial, a Moxy ajuda a garantir que pode resistir a uma provável barreira de medidas defensivas dos concorrentes.

A nova companhia aérea teria encomendado 60 aviões Bombardier CS300, segundo as pessoas familiarizadas com o assunto. O primeiro chegaria em 2020. Os $100 milhões que Moxy está arrecadando representam o mesmo valor inicial da JetBlue, e se destinariam a começar os serviços no mesmo ano do recebimento da primeira aeronave.

Bombardier CS300. Imagem: Divulgação / Bombardier




A Moxy foi projetada para maximizar as vantagens econômicas do C-Series, juntamente com o uso de aeroportos secundários menores, como Providence, Rhode Island, Fort Worth e Burbank, disse a Airline Weekly. A companhia informou aos investidores que venderá apenas voos ponto-a-ponto para manter os custos baixos, de acordo com uma apresentação citada pela publicação.

Neeleman é um defensor de longa data do uso de aeronaves fabricadas pela Airbus, que assumiu o controle da linha C-Series em parceria com a Bombardier. As empresas planejam fechar o negócio em 1º de julho.

Mas a companhia aérea não pretende imitar companhias de baixo custo como a Allegiant Travel ou a Spirit Airlines. Em vez disso, a Moxy estaria mais alinhada aos empreendimentos da Neeleman na Azul e na JetBlue, em que oferece assentos espaçosos e acesso Wi-Fi gratuito com algumas taxas para serviços extras, como lanches ou atribuições de assentos, relatou a Airline Weekly.

Com 60 pedidos do CS300, a Moxy se tornaria o segundo maior cliente da Série C, depois da Delta Air Lines, que está adquirindo 75 unidades do modelo menor CS100. A Delta planeja iniciar o serviço com o avião no próximo ano.

 
Informações por Airline Weekly e Bloomberg.
 

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.