Definido como grave o caso em que Airbus A320 passou a 64 metros do solo

Na última quinta-feria, 21 de novembro de 2019, a agência de investigação da Grécia (AAIASB) informou que classificou como um incidente grave e abriu investigação sobre a ocorrência em que um Airbus A320 passou a 210 pés (64 metros) do solo após um desligamento do controle automático de potência.

Avião Corendon Airbus A320
A320 da Corendon – Imagem: chrism / Flickr

Segundo informações do The Aviation Herald, o Airbus A320-200 da companhia aérea Corendon, operando pela Orange2fly em nome da SalamAir, de matrícula SX-ODS, estava realizando o voo OV-104 de Dubai (Emirados Árabes Unidos) para Muscat (Omã) no dia 28 de janeiro desse ano quando o incidente ocorreu.

A aeronave estava se aproximando da pista 26R de Muscat com curva pela direita, e ingressava para a final da aproximação enquanto descia cruzando cerca de 1840 pés acima do solo (560 metros).

O comandante então reduziu a potência para idle (quando o motor apenas funciona, sem gerar impulso) e o autothrust (computador que monitora a velocidade para atuar automaticamente na potência se necessário) desconectou-se por conta da atuação manual sobre o controle.

Alinhado na final, o comandante passou o controle da aeronave ao primeiro oficial (co-piloto), que seguiu atuando nos comandos de voo ajustando a aeronaves para pouso. Mas, com o autothrust ainda desconectado, a velocidade indicada da aeronave caiu para 116 nós (215 km/h) e a aeronave começou a perder altura rapidamente.

Quando estava a 290 pés acima do solo (88 metros), a aeronave identificou a situação de risco e ativou automaticamente o modo Alpha Floor (modo de proteção ativado quando a aeronave desacelera para a faixa de proteção alfa, que atua na potência mesmo que o autothrust esteja desativado), e este modo selecionou quase simultaneamente a potência TOGA (utilizada para decolagens e arremetidas).

Até que a potência e a velocidade fossem recuperadas, a aeronave continuou a descer até 210 pés acima do solo (64 metros) antes de voltar a ganhar altura. O comandante assumiu o controle novamente e, como a distância até a pista ainda era considerável, corrigiu a aproximação para um pouso seguro utilizando controle manual da potência.

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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