DELTA e LATAM pedem integração completa de suas operações

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LATAM A350 Delta

A Delta Air Lines e a LATAM Airlines Group submeteram na noite de ontem (8) seu pedido completo de Joint-Venture (JV) ao governo americano, citando uma futura integração completa entre as empresas.

O documento que as empresas enviaram, e lido pelo AEROIN, cita que o acordo de JV atenderá a mais de 7 mil rotas por toda a América, incluindo os Estados Unidos e os países onde a Latam possui operações: Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai (Argentina não foi citada).

Este pedido junto ao Departamento de Transporte dos EUA (DOT) é necessário para “blindar” as companhias de acusações futuras de formação de cartel por combinação de preços, já que o acordo cita inclusive um “fully integrated metal-neutral joint-venture

O termo metal-neutral, em inglês, se refere a quando duas empresas aéreas fazem um acordo, que independentemente de quem opere a rota, os lucros e prejuízos serão divididos igualmente, como se fossem uma só empresa.

Um exemplo seria a rota São Paulo – Atlanta, exclusiva da Delta, e que está inclusa no acordo. Nela, os lucros seriam divididos com a LATAM que, por sua vez, também dividiria os lucros da rota Miami – São Paulo, que não é operada pela Delta. Um acordo com este mesmo formato já existe, por exemplo, entre a AeroMéxico e a Delta, o qual é citado várias vezes no documento do DOT e que elenca diversos benefícios nas conexões entre os EUA e o México.

No pedido de ontem, a empresa cita como o maior benefício o fim do domínio da American Airlines, que controla 27% do mercado entre os EUA e os países da América do Sul citados acima. O percentual é o mesmo da Delta e LATAM juntas, o que traria um maior equilíbrio ao mercado. As companhias citam que a Azul-Avianca-United, que são parcerias e possuem acordos de um nível menor, também têm 27% do mercado entre os países.

Novas rotas, Miami, Viracopos e Los Angeles

Para a Delta e LATAM, a maior integração e sinergia das empresas gerariam uma redução tarifária de até US$56 milhões de dólares por ano, quando comparado à projeção dos níveis pré-pandemia.

Ainda segundo o documento, não seria necessário redistribuir slots das empresas em Guarulhos ou Nova Iorque (JFK) como compensação pelo acordo, já que as empresas têm uma grande presença nestes aeroportos, mas não há prejuízo para a concorrência. Inclusive, é citado o Aeroporto de Viracopos como uma alternativa de expansão da empresa no Brasil, que vê Guarulhos saturado no futuro.

Outra cidade citada é Miami, onde seria aberto um hub da Delta no Aeroporto Internacional a fim de criar novos voos domésticos da empresa americana, visando a fortalecer a presença da LATAM no aeroporto, que hoje é dominado pela American Airlines.

Diversas cidades são citadas no documento e ficaria extenso elencar todas, no entanto, as empresas afirmam que 19 rotas sem escala serão abertas ou expandidas, caso o acordo seja aprovado pelas autoridades.

Infelizmente, o Departamento dos Transportes dos EUA (DOT) suprimiu a parte do texto que citava uma parte dessas novas rotas, já que o documento é enviado depois para as concorrentes, que são notificadas e têm um prazo para possíveis questionamentos, apelações e para também ciência do mercado como um todo. Porém, é citado várias vezes que o serviço aéreo será expandido de Miami, Nova Iorque, Orlando, Atlanta e Los Angeles para as cidades sul-americanas.

Especificamente com relação a Los Angeles. A Delta, no passado, já operou a rota Los Angeles – São Paulo com o Boeing 767-300ER. No entanto, a rota não durou muito e, algum tempo depois foi assumida pela rival American Airlines. Com o fim do voo da American, anunciado na semana passada e o fato de Los Angeles constar do pacote da JV, pode ser que Los Angeles volte a ser um destino direto para os brasileiros, reavendo as conexões com a Costa Oeste dos EUA e Havaí.

Sem Argentina, mas com México

O documento não cita a Argentina como alvo da Joint-Venture, apesar de deixar aberto que outros países e cidades poderão ser incluídas através de emendas futuras, que também dependerão de aprovação das autoridades. Lembrando que a LATAM recentemente fechou sua subsidiária na Argentina e não pretende voltar com operações domésticas para o país hermano tão cedo, mas isso não impede de rotas para o país sejam incorporadas ao acordo da JV.

Por outro lado, são fortemente citados no documento os benefícios da JV que a Delta tem com a AeroMexico, e que tal acordo favorecerá a JV com a LATAM também, apesar de a empresa sul-americana não ter relação direta com a mexicana (por enquanto).

Agora, o documento será analisado pelo DOT e poderá ser aprovado nos próximos meses. No Brasil e no Chile, a LATAM também submeteu aos órgãos anti-truste responsáveis.

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Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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