Lufthansa pula fora da briga e aceita condições da UE para receber $9 bi de euros

Embora o Conselho Supervisor da Lufthansa tenha declarado, na última quarta-feira (27), não poder aprovar o pacote de resgate proposto pelo governo alemão, alegando que as condições impostas pela União Europeia (UE) eram inaceitáveis, em nova reunião, o grupo voltou atrás.

Avião Boeing 777X Lufthansa

Na data de hoje (30), porém, a aérea alemã emitiu um comunicado em seu site informando que, após reunião de seu Conselho Executivo, o Grupo decidiu mudar de ideia e aceitar as condições da União Europeia para o pacote de estabilização negociado com o Fundo de Estabilização Econômica (FEE) da República Federativa da Alemanha.

O comunicado ressalta que as condições iniciais exigidas pela Comissão da UE sofreram reduções em comparação com as indicações iniciais.

Mas, o que tem no acordo

Dentro do acordo, a Lufthansa será obrigada a transferir para uma aérea concorrente, que demonstre interesse e que não ainda não opere nos aeroportos de Frankfurt e Munique, até 24 direitos de decolagem e pouso (slots). Ou seja, três direitos de decolagem e três de pouso por dia, por aeronave, para até quatro aeronaves, em cada um dos aeroportos.

A opção permanecerá disponível para as novas aéreas concorrentes por um ano e meio. Se nenhuma das concorrentes fizer uso dessa opção, ela será estendida a aéreas que já possuam slots nos respectivos aeroportos.

Os slots serão alocados através de licitação e só podem ser adquiridos por um operador europeu que não tenha recebido um substancial aporte estatal em ação de ajuda dentro do escopo da pandemia do novo coronavírus.

Aparentemente, dentro das condições apresentadas pela Comissão da UE para a concessão do resgate, o que mais impactava na aceitação pela aérea alemã era a questão da cessão de slots.

Na avaliação inicial do Conselho Supervisor da Lufthansa, isso levaria ao enfraquecimento dos hubs principais da Lufthansa em Frankfurt e Munique.

Além da questão da cessão dos slots, o Governo Alemão, após a capitalização do montante injetado pelo o FEE, passará a contar com uma participação de 20% no Grupo Lufthansa, que poderá chegar futuramente a 25%. O valor do resgate concedido é de 9 bilhões de euros.

O Conselho Supervisor da Lufthansa ainda deve aprovar o pacote de estabilização, incluindo os compromissos com a Comissão da UE. Após a decisão do Conselho Supervisor, a empresa pretende convocar, em data próxima, uma Assembleia Geral Extraordinária para obter a aprovação dos acionistas do Grupo.

Tempos difíceis, decisões complicadas. Concessões e renuncias importantes; em jogo não somente capital de ricos investidores, mas milhares de empregos de pessoas comuns. Abrir mão agora para receber de volta depois? Quem sabe…

Rodnei Diniz
Engenheiro aeronáutico e mecânico, atuante em gestão de manutenção aeronáutica, aviação geral, executiva e comercial. Atento aos detalhes, gosta de ler e escrever sobre a história da aviação.

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