Dois jatos da Azul registram falhas de equipamentos em uma semana

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Dois jatos Embraer da Azul Linhas Aéreas passaram por falhas em equipamentos na semana passada e tiveram que retornar a seu aeroporto de origem. Veja a seguir detalhes sobre cada pane e os procedimentos relacionados.

Avião Embraer E195 Azul Linhas Aéreas

O primeiro caso aconteceu com o Embraer E195 de matrícula PR-AXE no dia 30 de outubro, num voo entre Belém e Manaus. Durante a subida a aeronave teve um aviso de “BLEED 1 OVERPRESS“, sendo que a tripulação seguiu os procedimentos previstos no manual da aeronave e decidiram pelo retorno para Belém.

Este aviso é referente a uma possível situação de excesso de pressurização do sistema da Bleed (válvula de controle de fluxo), que retira o ar de um dos estágios de compressão do motor para pressurizar a aeronave, além de prover o ar-condicionado a bordo.

Neste caso, o procedimento segundo o manual da Embraer é desativar a Bleed afetada apertando um botão (no E195 são duas Bleeds nos motores, sendo uma para cada lado).

Caso o problema persista, é necessário desativar a alimentação cruzada (CrossBleed) do sistema e desativar a Bleed do APU (motor auxiliar que dá partida na aeronave) se esta estiver ligada. Outras restrições incluem evitar voar em áreas propícias à formação de gelo e limitar a altitude ao nível 310 (9,44 km).

Se, após as medidas serem cumpridas, a mensagem de BLEED 1 OVERPRESS ainda estiver aparecendo, os pilotos deverão reduzir o motor afetado para a potência mínima (IDLE), fazer o ajuste de balanceamento de combustível na aeronave e mudar o transponder para o modo de alerta de tráfego, sem resolução de tráfego (na resolução, o sistema interfere nos comandos de voo para evitar colisões).

Segundo caso

Dados do voo do segundo caso © FlightRadar24

A outra ocorrência foi com o também E195 de matrícula PR-AYW, já no dia 04 de novembro, num voo de Campinas para Vitória. Desta vez o aviso foi de “CABIN ALTITUDE REACHED HIGH VALUE”.

Da mesma maneira que na primeira ocorrência, a tripulação seguiu o manual e voltou para o aeroporto de origem com total segurança. Neste caso, o aviso foi de que a altitude de pressão da cabine estava alta, que poderia ser um aviso de não pressurização ou pressurização “defeituosa”.

Neste caso os pilotos devem utilizar máscaras de oxigênio e descer o mais rápido possível para o nível de voo 100 (3 km de altitude) ou menor, onde é possível voar sem pressurização.

Pelo histórico do voo no aplicativo FlightRadar24 é possível ver que o avião fez uma rápida descida, atingindo a razão de descida de 3.648 pés/min (descendo 1,11 km de altura a cada 60 segundos). Logo após estabilizar no nível de voo 100, a aeronave retornou para Campinas.

Investigações

Em ambos os casos, o CENIPA, órgão que investiga incidentes e acidentes aeronáuticos no Brasil, relata que nenhum dos ocupantes dos voos ficou ferido e as aeronaves pousaram sem maiores problemas. Por causa disso, o CENIPA deu como finalizado os trabalhos nos dois casos.

As ocorrências e seus desfechos, sem maiores intercorrências, mostram a segurança presente na aviação, em que os aviões são capazes de continuar seus voos mesmo diante de falhas de sistemas e equipamentos, e os pilotos são treinados para seguirem os procedimentos relacionados a cada falha, tomando as melhores decisões sobre como proceder.

Com informações do CENIPA e dos manuais dos jatos Embraer 195

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Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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