Donos de aviões estão revoltados com o aumento de produção da Airbus

A retomada da aviação e as mudanças na economia global têm causado discussões, inclusive entre a Airbus e seus principais clientes: os lessores.

Divulgação – Airbus

Os lessores são grandes bancos ou financeiras que compram os aviões e os alugam para as companhias aéreas, normalmente num negócio que envolve contratos longos e em que a decisão pela compra parte da companhia, que fecha então o acordo, completando um “negócio a três”.

Pelo fechamento das fronteiras e queda drástica na demanda, causando a paralisação da maioria dos voos, o preço do leasing (aluguel) foi para baixo, pressionando o caixa dos lessores. Agora, segundo o Financial Times, o anúncio de aumento na produção da Airbus, principal fabricante de aviões comerciais do mundo, não agradou em nada dois dos grandes lessores do mundo.

Fontes na Airbus confirmaram ao jornal financeiro que os CEOs da Avolon, Domhnal Slattery, e da AerCap, Aengus Kelly, enviaram um e-mail ao CEO da Airbus, Guillaume Faury, criticando a atitude da fabricante europeia, e inclusive um deles, teria copiado o e-mail para os CEOs das fabricantes de motores General Eletric e Safran.

A AerCap é a maior empresa de leasing aeronáutico do mundo, e ao menos 40 aviões no Brasil estão registrados no nome dela, segundo levantamento exclusivo do AEROIN. Já a Avolon é a quinta maior lessora de jatos comerciais brasileiros, incluindo todos os Airbus A330neo da AZul.

O motivo da revolta é por causa da regra básica de mercado: maior oferta, sem aumento da demanda, causa queda de preços, e esse é o temor dos lessores, que consideram que uma maior produção de jatos da Airbus iria inundar o mercado com aviões novos, forçando um preço mais baixo do leasing.

Para os dois CEOs, ainda não é a hora de aumentar a produção, já que apesar da pandemia estar “mais branda”, nem tudo foi reaberto e existe uma pressão constante da alta dos combustíveis (incluindo de aviação) e de uma inflação em diversos países. Outro ponto é que os fornecedores de componentes para as aeronaves possam não dar conta da “fome” da Airbus em produzir mais jatos por mês, causando outro problema no setor.

A estratégia da Airbus também tem outro fator por trás: sua concorrente Boeing. A empresa quer se consolidar como maior fabricante do mundo, diminuindo o espaço da concorrente americana. A fabricante europeia já ganhou a vantagem com o sucesso de vendas do A320neo somado aos problemas da Boeing com o 737 MAX e 787 Dreamliner, mas a diferença não estaria tão confortável.

Em maio a Airbus anunciou que quer chegar a uma taxa de 64 jatos produzidos por mês no segundo semestre de 2023, quatro a mais do que fazia antes da pandemia, e atingir o número de 75 até 2025.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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