E-Jets da Embraer e A220 da Airbus já lutam pelo protagonismo do pós-crise

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Em uma recuperação lenta e gradual de uma das maiores crises da aviação mundial, os jatos de menor porte da Embraer e da Airbus começam a disputar o papel de protagonistas do pós-crise nos mercados regionais.

Avião Airbus A220-300
Airbus A220-300

Airbus A220

O pequeno jato comercial A220 tem agradado seus operadores por suas características operacionais, que somam baixo custo operacional e tamanho, rivalizando com aeronaves maiores como o A320 da própria Airbus e o Boeing 737.

O projeto nasceu na Bombardier, dentro da série de jatos regionais CSeries, e tem trazido um retorno interessante a seus operadores, que dentro do caos provocado pela pandemia do novo coronavírus, necessitam minimizar ao máximo seus custos operacionais, enquanto mantém suas operações aéreas em um nível mínimo.

“Quando tudo isso passar, continuaremos entusiasmados com os A220, e o benefício que a aeronave pode trazer para a JetBlue”, declarou a analistas e investidores, no último dia 7 de maio, Steve Priest, Diretor Financeiro da JetBlue. “A economia desta aeronave é espetacular”, completou, conforme divulgado pelo The Points Guy.

O portal destaca que mais da metade da frota global do modelo foi rastreada em voo durante a semana encerrada em 4 de maio. Um número percentual superior ao de aeronaves das famílias A320, B737 e E-Jets da Embraer.

A Delta Air Lines, que parou toda sua frota de A320, composta por 62 aeronaves, mantém voando trinta e um A220. Eles são configurados para o transporte de 109 passageiros (contra 157 de seus A320), porém, possuem capacidade de voar 100 milhas (160 km) mais longe que seu irmão maior (A320), informa o The Points Guy.

A aeronave é mais silenciosa que grande parte dos jatos maiores e, na maioria dos casos, oferece melhor experiencia de bordo quando comparada a aeronaves de tamanho similar.

Mesmo em companhias que o utilizam na Europa, onde a primeira classe frequentemente possui um assento adjacente bloqueado, a aeronave é uma opção confortável para os passageiros.

A Swiss, com sede em Zurique, opera vinte e nove A220, das versões A220-100 e A220-300, e segundo o The Points Guy, em maio, 83% dos voos da Empresa foram realizados pelo modelo, de acordo com dados do Cirium.

Airbus A220-300 nas cores da Swiss

Ainda na Europa, a airBaltic, Empresa da Letônia, deverá ser a única no mundo a operar somente o A220, com uma frota de 22 aeronaves do modelo. A Empresa tinha planos de tirar de serviço aeronaves antigas, como o Bombardier Dash 8 e o Boeing 737, e já adiantou a retirada quando o novo coronavírus começou a se espalhar.

A Companhia pretende acelerar junto à Airbus as entregas de 50 unidades já encomendadas do jato, previstas para serem entregues até 2025. O objetivo é receber as aeronaves em dois anos, segundo o Airline Geeks.

Na América do Norte, a Air Canada tem planos de receber, ainda neste ano, 14 unidades do modelo. A Empresa canadense revelou, no início de maio, planos para retirar de serviço toda sua frota de 14 jatos regionais Embraer E190 e, posteriormente, treze Airbus A319 e cinco Boeing 767, que ainda faziam parte da frota na época, segundo o International Flight Network.

A retirada do E190 e sua substituição na Companhia canadense pelo concorrente e mais moderno A220, que agora disputa mercado com a nova versão E2 dos E-Jets brasileiros, já havia sido divulgada aqui no Aeroin.

Nos EUA, a JetBlue deve receber, no final desse ano, o primeiro dos setenta A220-300 encomendados. A Empresa acelerou as entregas do A220, porém, adiou o recebimento de 22 unidades do A321neo para além de 2022, em meio ao esforço no sentido de cortar despesas. Os A220 deverão ter uma configuração de assentos entre 130 a 140 lugares, enquanto são 200 assentos nos A321neo.

Informações divulgadas pela Airbus apontam que em 2020, até 30 de abril, foram entregues 8 unidades do A220, sendo 3 da versão A220-100 e 5 da versão A220-300.

Ainda segundo a Airbus, até a mesma data, no total são 94 A220-100 encomendados, com 40 unidades entregues e em frota, e 548 A220-300 com encomendas, sendo entregues 73 unidades, todas já incorporadas às frotas de seus operadores.

Como fica a Embraer?

Tudo indica que a Embraer terá de enfrentar, mais uma vez, uma dura competição pela frente. Como já fez no passado, e bem feito, na competição com a canadense Bombardier, desta vez será contra a gigante Airbus, agora “mãe” do A220 após assumir o programa CSeries da empresa do Canadá.

Mas, apesar da retirada do serviço do E190 por algumas empresas, como a Air Canada conforme citado acima, e da concorrência com o A220, os jatos brasileiros também têm estado na linha de frente no planejamento da retomada das operações de outras Empresas, podendo a Embraer se beneficiar da necessidade de aviões menores na retomada lenta da aviação nos próximos anos.

Conforme já noticiado aqui, a KLM Royal Dutch Airlines anunciou, no último dia 4 de maio, estar começando a restaurar gradualmente sua malha europeia de voos utilizando sua frota de E-Jets.

Aviões Embraer E175 E190 KLM Cityhopper
Jatos Embraer E175 e E190 – Imagem: KLM

A Empresa Aérea informou na ocasião que todos os voos seriam operados com aeronaves Embraer. Até o início da pandemia, a frota da divisão regional KLM Cityhopper era composta, segundo o Airfleets, por 17 jatos do modelo E175 e 32 do modelo E190.

Nos EUA, segundo o View from the Wing, a American Airlines espera retomar operações a partir do dia 3 de junho com a frota de jatos regionais composta por aeronaves E-175 e E-145, através de suas subsidiárias.

Uma delas, a Envoy Air, deverá receber 20 unidades do E-175 nos próximos meses, anteriormente operados pela Compass. A primeira delas já havia sido encaminhada para a realização de cheque de conformidade na Eagle Aviation Services, em Abilene, Texas.

E-175 operado pela Envoy Air – Imagem: Envoy Air.

Com relação às aeronaves entregues no primeiro trimestre de 2020, a Embraer divulgou no último dia 12 de maio a entrega de 5 aeronaves, conforme tabela a seguir.

Fonte: Embraer.

A fabricante brasileira também destacou recentemente que não possui nenhum pedido de cancelamento de encomendas, de forma que continua com o seguinte histórico de pedidos e entregas acumuladas de seus jatos regionais.

Fonte: Embraer.

Parece que algumas Empresas já estão fazendo suas apostas sobre qual aeronave deverá atuar, inicialmente, como alternativa na nova aviação comercial nos momentos iniciais do pós-crise. Aguardemos pelos próximos desdobramentos.

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