E-mail de CEO da Qantas indica que os voos ultra-longos podem ser confirmados em breve

O Project Sunrise de voos ultra-longos da Qantas parece pronto para ser aprovado e um anúncio deve ser feito em questão de semanas, se não antes. A companhia australiana fez um pedido especulativo para os A350-1000 ligeiramente modificados, mas a Airbus não realizará esse pedido se ele não for confirmado até 31 de março de 2020. É tempo de decisão.

Avião Airbus A350-1000 Qantas

Os números se sustentam

A Qantas argumenta há muito tempo que o Project Sunrise só irá adiante se os números se sustentarem. E segundo analistas da UBS, os números se sustentam.

Sua análise, relatada no The Financial Review, sugere que o Project Sunrise poderia fornecer à Qantas um adicional de US$ 121 milhões em lucro antes dos impostos no ano fiscal de 2025. A Qantas quer começar a voar as rotas de longo curso em 2023.

Essa estimativa é baseada em várias suposições, entre elas:

  • O A350 acomodará apenas 250 passageiros para estar leve o suficiente para os voos ultra-longos, permitindo um ajuste importante dos assentos premium;
  • A UBS prevê que as tarifas nos voos do Project Sunrise podem ser 10% maiores do que nas rotas que envolvem escalas;
  • Com base em um voo de 32.000 quilômetros (ida + volta), a UBS prevê uma receita média por assento-quilômetro disponível (RASK) de US$ 0,083, gerando uma receita total de cerca de US$ 740.000 por voo.

Levando em conta o ajuste dos assentos premium, a UBS calcula que haverá um prêmio de 29% na receita gerada por assento em comparação com os voos com escala existentes.

A análise também diz que o Projeto Sunrise custará à Qantas US$ 800 milhões anualmente entre 2023 e 2025.

Acordo dos pilotos ainda não resolvido

Os números indicam que podem haver rolhas de champanhe estourando na Qantas em breve. Mas um obstáculo permanece: um acordo com os pilotos.

A Qantas há muito tempo argumenta que o Projeto Sunrise só irá em frente se os voos forem lucrativos, e isso passa pela questão dos salários dos pilotos que efetuarão as longas jornadas.

Até agora, a Qantas não conseguiu negociar um acordo salarial com o sindicato dos pilotos, a Australian International Pilots Association (AIPA). A Qantas diz que precisa garantir um novo acordo salarial com melhorias de produtividade para fazer o Project Sunrise funcionar.

Isso foi descartado por alguns pilotos e analistas. Eles argumentam que, se o Project Sunrise é tão marginal que se depende de um acordo de salários, a ideia não é viável.

O fracasso em alcançar um acordo de pagamento com o sindicato ocorre paralelamente ao fato de que a Qantas chegou a um acordo de salários com seus pilotos de rotas domésticas de curta distância no último Natal. Esse acordo deu a esperança de uma ruptura também para o Project Sunrise.

Um e-mail interessante de um gerente sênior da Qantas

O conteúdo de um e-mail recente do CEO da Qantas International, Tino La Spina, foi amplamente publicado na mídia australiana hoje. Nesse e-mail, enviado aos pilotos, La Spina sugeriu que o Project Sunrise irá em frente – com ou sem o sindicato a bordo.

“Ficou claro que o Sunrise é algo que nossos negócios internacionais precisam para maximizar seu sucesso a longo prazo e defender sua posição competitiva.

Informamos à AIPA (e agora estamos informando vocês) que, se não conseguirmos garantir um novo contrato EBA10 de longo curso com nossos pilotos, que atenda ao caso de investimento do Sunrise dentro do prazo da Airbus, não teremos alternativa viável a não ser ter o Sunrise executado por uma nova entidade de emprego que possa fornecer a base de custos necessária para esta importante oportunidade de negócio. 

Para ser absolutamente claro, essa não é a nossa opção preferida. E sabemos que sinalizar isso não será bem recebido por muitos de vocês.”

De acordo com um relatório publicado hoje no The Australian, isso significaria que aproximadamente 400 pilotos seriam provenientes do exterior e usados ​​em voos do Project Sunrise.

Mas parece que empregar novos pilotos é apenas uma carta na manga da Qantas.

Um acordo direto com os pilotos

A Qantas diz que, se não conseguir chegar a um acordo com a AIPA, também abordará os pilotos diretamente e oferecerá termos. De acordo com um relatório do The Financial Review, os comandantes receberiam um salário base anual de US$ 265.400, os primeiros oficiais receberiam US$ 175.370 e os segundos oficiais receberiam US$ 86.680.

A companhia insiste que deseja chegar a um acordo com seus próprios pilotos. Um dos pontos difíceis seria o salário dos segundos oficiais nos voos do Project Sunrise. A Qantas estaria querendo pagar a eles menos do que paga atualmente aos segundos oficiais, e a AIPA não está feliz com isso.

O sindicato critica a atitude

A AIPA também não está feliz e seu presidente, Mark Sedgwick, emitiu a seguinte declaração:

“Tais ameaças desnecessárias, infelizmente, precipitarão um novo nível baixo de envolvimento dos funcionários na Qantas. O Project Sunrise envolve várias questões regulatórias e de segurança pelas quais a AIPA está trabalhando. 

A abordagem que a Qantas está mostrando agora publicamente tem sido uma característica dessas discussões e mostra como essa empresa aparentemente prefere ultimatos neste momento crítico à construção de consenso”.

A decisão bate à porta

Tudo indica que a Qantas vai seguir em frente com o Project Sunrise. Enquanto eles sempre destacaram que era necessário avaliar a soma dos números, a análise da USB indica que os números batem.

A variedade de opções que a Qantas tem para resolver o impasse salarial dos pilotos e o fato de terem sido divulgadas pelo próprio CEO sugerem que a companhia aérea está disposta a sair da caixa para decolar os voos de longo curso.

A súbita explosão de atividade no conflito com o sindicato às vésperas do fim do prazo da Airbus sugere que a Qantas está pronta para agir. E quem acompanha a companhia aérea sabe que ela gosta de conseguir o que quer, e geralmente o faz.

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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