EASA reduz intervalo de inspeção do motor CFM56 dos Boeings 737NG

Os operadores do Boeing 737NG equipados com motores CFM56-7B devem realizar inspeções mais frequentes das blades (pás) do fan (disco de entrada) dos motores.

A EASA, reguladora da aviação civil europeia, emitiu uma nova Diretriz de Aeronavegabilidade que passa a exigir a redução, que é recomendada pela CFM International, fabricante dos motores.




Técnicos do NTSB (o CENIPA dos EUA) durante avaliação do motor do 737 da Southwest. Imagem: NTSB.

A inspeção repetitiva é necessária para garantir que rachaduras não estejam se formando nas raízes das blades.

A publicação da EASA foi emitida na última sexta-feira, 28 de setembro, passando a valer a partir de 05 de outubro. A Diretriz número 2018-0211 exige que os operadores inspecionem os encaixes das blades do fan a cada 1.600 ciclos, ou quase a metade do intervalo anterior de 3.000 ciclos (de forma simplificada, um ciclo compreende um acionamento e um desligamento do motor).

A FAA, agência reguladora dos Estados Unidos, emitirá uma diretriz similar em 1º de outubro, e outros reguladores deverão seguir.

A mudança é baseada em uma recomendação da CFM comunicada às operadoras em um boletim de 27 de julho, que revisou o intervalo original de 20 de abril.

O boletim de abril foi desencadeado pela falha de motor em voo em um Boeing 737-700 da Southwest, em 17 de abril. Os investigadores rapidamente associaram o ocorrido a uma blade fraturada, causada por rachaduras por fadiga de baixo ciclo na raiz da peça.

A separação da blade fez com que parte da entrada do motor se soltasse e atingisse a aeronave, causando o que o NTSB chamou de “dano significativo de impacto”. Um passageiro morreu como resultado.




As blades rachadas foram identificadas como as causas principais de duas falhas do motor CFM56-7B nos 737-700 da Southwest. O primeiro, em agosto de 2016 perto de Pensacola, na Flórida, desencadeou um conjunto inicial de recomendações de inspeção. A FAA estava no processo de exigir verificações com base nos boletins da CFM quando ocorreu o acidente de abril.

A inspeção de todas as 24 blades do fan em cada CFM56-7B usa métodos repetitivos de inspeção por ultrassom ou por corrente elétrica parasita, como a Diretriz exige. O processo leva cerca de quatro horas.

Embora a utilização de cada operador varie, a CFM disse que em média os operadores dos CFM56-7B acumulam cerca de 1.500 ciclos em um ano. Existem cerca de 14.000 CFM56-7Bs em serviço.

 
Informações pelo MRO Network.
 

Após acidente da Southwest, FAA emite Diretriz emergencial de inspeção dos motores do 737NG

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.