Eco-taxas vão destruir a aviação e falhar em salvar o meio ambiente, alerta IATA

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IATA Meio Ambiente Taxas

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) alertou que as novas taxas ambientais propostas na França não irão descarbonizar o setor de aviação e ainda vão eliminar 150.000 empregos na aviação francesa.

O Convention Citoyenne pour le Climat (CCC) – um órgão de cidadãos criado sob o governo do presidente Macron – está propondo uma série de medidas para conter as emissões da aviação, incluindo um imposto ecológico sobre passagens emitidas na França, para arrecadar 4,2 bilhões de euros anuais. A França já impõe algumas das taxas de aviação mais pesadas da Europa.

A Autoridade Francesa de Aviação Civil (DGAC) estima que, se implementada, a proposta do CCC levaria à perda de 150.000 empregos e custaria à economia francesa de 5 a 6 bilhões de euros em PIB perdido.

Apesar destes pesados custos econômicos, as medidas reduziriam as emissões em 3,5 milhões de toneladas por ano, o que é menos de 1% das emissões totais da França.

“Esta proposta não pode ser levada a sério. Não é o momento de adicionar 6 bilhões de euros e 150.000 empregos perdidos à destruição econômica que já está sendo feita no setor de aviação francês pela COVID-19. E isso quase eliminará os 160.000 empregos que o governo está tentando criar com 100 bilhões de euros em seu plano de relançamento econômico. Neste tempo de crise, precisamos de políticas coerentes que salvem empregos e não políticas que os destruam”, disse Alexandre de Juniac, Diretor Geral e CEO da IATA.

A indústria da aviação tem compromissos globais para descarbonizar. A partir de 2021, o setor estará comprometido com o crescimento neutro em carbono, e as companhias aéreas em todo o mundo estão trabalhando para reduzir, até 2050, a pegada de carbono líquida do setor para a metade dos níveis de 2005.

Além disso, as companhias aéreas estão sujeitas ao esquema europeu de comércio de emissões para operações intra-europeias.

Avião Airbus A319 Air France
Imagem: Laurent ERRERA from L’Union, France / CC BY-SA

A IATA também alertou que uma abordagem unilateral para reduzir as emissões da aviação pode comprometer o progresso que está sendo feito globalmente.

O primeiro esquema global de compensação de carbono para um setor econômico – o Esquema de Compensação e Redução de Carbono para Aviação Internacional (CORSIA) – foi acordado por governos por meio da Organização de Aviação Civil Internacional (ICAO) e se aplica a todos os voos internacionais.

“Se a França impuser esse debilitante imposto nacional unilateral, isso pode prejudicar o CORSIA, um esquema internacional que vai mitigar um bilhão de toneladas de emissões de carbono. O impacto ambiental líquido da proposta do CCC será terrível se isso der a grandes emissores ou nações em desenvolvimento uma desculpa para não apoiar o CORSIA”, disse de Juniac.

Em tempos normais, a indústria da aviação francesa sustenta cerca de 1,1 milhão de empregos e contribui com mais de 100 bilhões de euros, ou cerca de 4,3% do PIB nacional.

O início da COVID-19 levou o número de passageiros na França a cair 80% desde março, enquanto as receitas das companhias aéreas caíram cerca de EUR 15 bilhões, colocando cerca de 466.000 empregos em risco, de acordo com a análise da IATA. A França perderá este ano a posição de nono maior mercado de viagens do mundo.

Informações oficiais da IATA

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Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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