Em São Paulo, nomes relevantes da aviação falam do setor aéreo na pandemia no AirConnected

Imagem ilustrativa: Airbus A340-600

Relevantes nomes da aviação, incluindo o diretor-executivo e CEO da Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA), participaram nesta quarta-feira do evento AirConnected 2021, que reúne durante três dias, presencialmente e online, em São Paulo, autoridades do setor aéreo brasileiro e representantes da indústria.

Botelho moderou o painel “Líderes Comentam o Futuro”, em que, junto com Juliano Noman, diretor-presidente da ANAC, Paulo Kakinoff, presidente da GOL Linhas Aéreas, Alexandre Monteiro, presidente da concessionária RIOGaleão, e Rafael Echevarne, diretor-geral do Conselho Internacional de Aeroportos para América Latina e Caribe (ACI-LAC), traçou as perspectivas para o transporte aéreo no Brasil nos próximos anos.

Os debatedores destacaram que a vacinação tem sido um fator relevante no aumento da demanda, depois de quase 2 anos de impactos causados pela pandemia de Covid-19 no setor.

Outro ponto abordado foi a necessidade, entre os países, de harmonização dos processos de entrada de visitantes, assim como dos certificados de vacinação.

Todos também foram unânimes em afirmar que novas tecnologias que passaram a ser utilizadas têm sido fundamentais para agilizar processos nos aeroportos, garantir mais segurança ao passageiro e uma experiência de viagem mais tranquila.

“Como indústria, temos que trabalhar juntos para garantir segurança operacional, segurança sanitária, mas sem que sejam criadas barreiras ao desejo de viajar do passageiro. E a tecnologia tem sido fundamental para melhorar a experiência da viagem”, disse Botelho.

Por sua vez, o diretor-geral do ACI-LAC destacou o potencial de desenvolvimento do mercado brasileiro de transporte aéreo. Echevarne destacou a abertura de novas rotas e o aprimoramento dos serviços prestados pelos aeroportos como fatores que podem favorecer o aumento da demanda e crescimento do setor.

O diretor-geral do ACI-LAC ressaltou ainda que o passageiro tem percebido o empenho da indústria do transporte aéreo em garantir a segurança sanitária em tempos de Covid-19.

“O que tem gerado confiança para voar é a percepção do passageiro de todos os esforços que temos feito para estarmos alinhados ao documento CART da OACI, para garantir segurança sanitária aos passageiros. É sempre bom lembrar que os aeroportos da América Latina e Caribe foram os primeiros no mundo a implementarem o CART”, finalizou Echevarne.

Mais sobre o primeiro dia do AirConnected

O atual cenário do transporte aéreo de passageiros e cargas e a infraestrutura aeroportuária voltou a ser pauta de discussão no AirConnected – Transporte Aéreo Resiliente, Flexível e Tecnológico, neste primeiro dia do evento.

“Estamos muito felizes em reunir todo o ecossistema do transporte aéreo novamente e testemunhar o empenho de todos os players para acelerar a retomada da atividade. É um novo ciclo de mudanças que estamos testemunhando”, disse na abertura do evento, Paula Faria, a CEO da Necta, organizadora do evento em parceria com o Fenelon Advogados.

Com mediação do presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), Eduardo Sanovicz, o primeiro painel reuniu lideranças do setor para comentar o cenário atual.

O diretor de Aeroportos, Passageiros, Carga e Segurança para as Américas da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA), Filipe Pereira dos Reis, afirmou que o setor tem o desafio de definir como sair desse processo pandêmico, criando novos modelos de negócio.

“Com a experiência que obtivemos com as licitações, percebemos a necessidade de que o processo contemple a dinâmica colaborativa, no sentido de consultar os envolvidos para que se tenha uma percepção mais acertada das definições feitas em contrato, em prol dos interesses dos passageiros e das operações com carga”, disse.

Sobre a retomada do transporte aéreo de passageiros, Reis mencionou também ser “fundamental” a criação de certificados de vacinação equiparados aos padrões e requisitos internacionais. “O fato de termos a estrutura digital do SUS é um facilitador e esperamos ter uma solução a médio prazo, em concordância com os requerimentos globais”.

Aumento da demanda

Em dezembro deste ano, o número de voos deve retornar a pelo menos 90% do volume registrado no mesmo período em 2019. A informação foi divulgada pelo Brigadeiro do Ar, chefe do Subdepartamento de Operações do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), Eduardo Miguel Soares, durante sua participação no AirConneted.

“A pandemia colocou a aviação do mundo em uma situação muito crítica. Em março de 2020, chegamos a ter apenas 8% dos movimentos no ar registrados no mesmo período de 2019. A segunda onda de contaminação também nos fez retroceder na retomada. Mas agora, no mês de julho, tivemos uma retomada de 78% a 80% dos movimentos aéreos e em agosto, quando normalmente o volume cai, o desempenho se manteve. Estimamos que em dezembro chegaremos a ter 90% dos movimentos aéreos que tínhamos em 2019”, prevê.

Já o presidente da companhia aérea Azul, John Rodgerson, salientou que o ponto de inflexão para a retomada deve ser a abertura das fronteiras aos passageiros brasileiros. “Destinos como Flórida e Miami, nos Estados Unidos, são muito importantes. A demanda se reestabelecerá de fato quando o trânsito pelas fronteiras for normalizado”.

Antes e depois da Covid19

Diretor da ANAC, Ricardo Catanant participou de outro painel do AirConneted e disse que a atração de novas empresas é uma discussão relevante. “A própria regulação que tínhamos no Brasil interferiu na atração de novas empresas. Hoje houve uma hibridização e as empresas aéreas tradicionais tiveram que oferecer o modelo low cost. Este modelo tende a crescer aceleradamente, pautado pela racionalização de custo”, disse.

Catanant também abordou a questão da tributação incidente na operação. “A ANAC tem analisado os casos na justiça contra as empresas aéreas. Na questão dos biocombustíveis, o Brasil tem condição de se posicionar como líder de mercado, o que nos ajudaria a sair da crise”.

Encerrando o primeiro dia de AirConneted, o Ministro da Infraestratura, Tarcísio de Freitas, participou por telão e reforçou a importância da participação da iniciativa privada na composição de investimentos em infraestrutura aeroportuária.

“O investimentos por meio de concessões em equipamentos regionais podem aumentar o número de aeronaves e de assentos. Passado o momento mais crítico da pandemia, demos continuidade aos leilões de concessão. Avançamos na construção de bons contratos e ficamos felizes com os resultados. As companhias aéreas conseguiram superar a crise e as empresas conseguiram fazer a travessia em um dos momentos mais duros. O desejo é integrar o nosso Brasil a todas as regiões”, afirmou.

Informações da ALTA, do ACI-LAC e da Necta

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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