Embraer EMB-145 Amazon, o Brasília movido a jato que só ficou no papel

O Paris Airshow de 1989 ficou marcado por várias razões. A Guerra Fria estava próxima do fim, mas os soviéticos ainda queriam mostrar seu poderio e mandaram a Le Bourget algumas de suas mais poderosas máquinas, que incluíam o caça Sukhoi SU-27 e o maior avião do mundo, o Antonov AN-225, com a nave espacial Buran sobre si. Mas o fato mais marcante daquele evento foi o acidente com o MiG-29, cujo piloto ejetou segundos antes da explosão no solo.

Ainda distante do poderio de hoje, embora já conhecida internacionalmente por seus aviões de pequeno porte, a ainda estatal EMBRAER apresentava uma novidade naquela feira. Era um conceito de sua primeira aeronave a jato, que mantinha 75% das peças e sistemas do turboélice EMB-120 Brasília, mas que levava sobre (sim, em cima) suas asas dois motores turbofans que prometiam inaugurar a era do jato na fabricante brasileira.

A esse projeto lhe conferiram o nome de batismo de EMB-145 Amazon e seu primeiro voo estava previsto para 1991. Mas isso nunca aconteceu.

Começo e fim relâmpago

O EMB-145 Amazon para ser um jato para até 48 passageiros e com 5,5 metros a mais do que o Brasília – teria, portanto, 25,5 metros -, num projeto orçado em US$ 150 milhões, com mais US$ 50 milhões para treinamento e promoção. Após construído, cada unidade seria comercializada por US$ 11 milhões, abaixo do preço da concorrência, e a Embraer esperava vender até 500 unidades.

Com perfil aerodinâmico do Brasília, o jato ganharia winglets e teria capacidade de voar a 740 km/h. Sua autonomia esperada era de 1.000 quilômetros, podendo chegar a até 2.600 km com carga reduzida. No entanto, o projeto original não duraria muito tempo. Com a seleção do motor Allison GMA3007, em março de 1990, o projeto foi revisado e o EMB-145 já ganhou outros contornos, o motor passou para debaixo das asas, bem como teve uma redução de tamanho e de capacidade.

Mas, em meio à grave crise econômica e política pela qual passava o Brasil, o projeto andava devagar até que foi engavetado por alguns meses, mesmo tendo 296 compromissos de compra vindos de 19 operadores mundo afora.

Quando voltou ao jogo, privatizada, o projeto do Embraer 145 também, voltou à mesa, mas aquele projeto inicial já estava todo mudado, o que se mostrou o melhor caminho a seguir, pois hoje sabemos o sucesso que é o E145, sobretudo no mercado americano.

Em breve essa história continua, com foco no atualmente conhecido E145.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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