Embraer pode considerar reentrar no mercado de turboélices

E195-E2 é o foco do momento, segundo o VP

Citando projeções de mercado para 290 turboélices a serem entregues na região latino-americana até 2038, o VP de vendas da Embraer para América Latina e Caribe, Reinaldo Krugner, disse que a fabricante está olhando para turboélices. A declaração foi dada a repórteres durante o Fórum de Líderes de Companhias Aéreas da ALTA, em Brasília, no último domingo (28).

Krugner disse: “É natural que um fabricante analise as oportunidades de mercado. Os turboélices representam um vetor de estudos para nós.” Atualmente, a fabricante tem estado maiormente focada no seu jato E195-E2 de 146 assento, mas diz que está conversando muito com seus clientes sobre oportunidades.

Quando os jornalistas começaram a explorar o tema, Krugner rapidamente se voltou para a E2. “O futuro próximo é para a E2”, disse ele. “Essa é a nossa prioridade, para trazer os lucros que prometemos aos nossos clientes e operadores”.

Entregas do E195-E2 estão progredindo

A Embraer entregou seu primeiro E195-E2 à Azul Linhas Aéreas Brasileiras, via o lessor AerCap, em 12 de setembro. A Azul tem ainda 53 E195-E2s encomendados, dois dos quais estão construídos e prontos para serem entregues. A Azul também é operadora de 33 turboélices ATR 72-600, com outros três do tipo em ordem.

Krugner referiu-se à Azul como um exemplo de uso do turboélice em mercados apropriados. “No Brasil, a Azul está explorando isso à sua maneira quase sem concorrência em determinados mercados”, disse ele.

Questionado sobre as preocupações com o motor do E195-E2, o Pratt & Whitney PW1900G, que em setembro foi citado com um mandato de inspeção pelos reguladores após alguns incidentes no Airbus A220 (que usa a mesma classe de motor), Krugner disse que a Embraer vem inspecionando todos os motores à medida que saem da fábrica e está seguindo todas as recomendações do fabricante.

Os motores PW1900G foram objeto de uma diretiva que requer uma inspeção da possível fratura de rotor de estágio 1, do compressor de baixa pressão (LPC).

“A melhor resposta que posso dar é olhar para a Azul voando”, disse Krugner. “Sem problemas, graças a Deus, e estamos conscientes e monitorando, já que a empresa utiliza motores semelhantes. Estamos em contato constante e até agora não fomos afetados. Esperamos que continue assim”.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.

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