Embraer posterga entrega do E175 E2 até 2023 e tempo extra pode ser amigo

Embraer Divulgação

Na manhã desta quarta-feira (5), a Embraer realizou uma conferência com investidores e a imprensa para atualizar sobre seus resultados. Durante a reunião, a fabricante salientou que, devido às atuais condições do mercado de aviação comercial em todo o mundo, em virtude da pandemia de Covid-19, a entrada em operação do jato E175-E2 foi reprogramada para 2023.

Enquanto isso, a Embraer manterá o desenvolvimento da aeronave, ainda que de maneira mais prolongada. A empresa acredita que assim o E175-E2 estará disponível em um momento mais adequado para entrar em serviço para atender à demanda do mercado pelo jato. Até lá, a Embraer continua oferecendo o jato E175 de primeira geração de E-Jets, líder de mercado e a mais eficiente e confortável aeronave comercial na categoria de 76 assentos.

Embora não divulgado na reunião, a Embraer tem um interesse estratégico em postergar a entrega do primeiro E175 E2, na esperança de que os Estados Unidos revejam a chamada “cláusula de escopo” de sua aviação regional. Essa cláusula determina não apenas a limitação de assentos para os voos regionais, mas também o porte da aeronave.

Atualmente, o Embraer E175 E1 é um sucesso de vendas nos EUA, justamente por ser o maior avião a se encaixar nos parâmetros estebelecidos na “cláusula de escopo”. Por sua maior capacidade de passageiros e carga, as empresas aéreas americanas viram nele o equipamento ideal para potencializar seus resultados. No entanto, o mesmo não acontece com o E2, que é mais pesado e fica, portanto, fora dos requisitos.

Há anos que a Embraer e as empresas americanas brigam para que a FAA reveja essas cláusulas, mas a agência ainda não deu um parecer final sobre isso. Com a mudança de mercado que veremos nos próximos meses e anos, essa pode ser uma oportunidade de a Embraer atingir esse trunfo e emplacar o E175 E2 nos EUA.

Atualizações da Aviação Comercial

No 2T20, a Embraer entregou quatro aeronaves comerciais, conforme dados abaixo:

– Em maio, a Congo Airways atualizou seu pedido firme, anunciado em dezembro de 2019, de dois E175s, com direitos de compra para mais dois, para dois pedidos firmes de E190-E2s, com mais dois direitos de compra. O novo contrato tem um valor total de mercado de US$ 256 milhões, de acordo com os preços de lista atuais da Embraer, e foi incluso na carteira de pedidos da Empresa no 2T20. O CEO da Congo Airways relatou que a nova aeronave ajudará a expandir a operação na África por ser uma ferramenta flexível e eficiente, com o tamanho certo para se adequar ao restabelecimento do mercado.

– A Embraer iniciou seu processo de reorganização em junho, com a reintegração da unidade de Aviação Comercial. Arjan Meijer, ex CCO da divisão comercial, foi anunciado como novo Presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, sucedendo John Slattery, que deixou a Empresa para se juntar a um dos principais parceiros da Embraer na indústria da aviação. Arjan agora reporta diretamente a Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer. Fechando o trimestre, a Embraer comemorou a entrega do seu 1.600º E-Jet, um E190-E2, à Helvetic Airways da Suíça.

– A Helvetic Airways está em um momento de transição de uma frota de E-Jets de primeira geração para E2s. A linha aérea recebeu seu primeiro E190-E2 em outubro de 2019 e mais quatro foram entregues desde então, como parte de seu programa de renovação de frota. A Helvetic voa os aviões em uma configuração de classe única de 110 assentos em rotas domésticas e internacionais.

– O 1.600º E-Jet também estabeleceu um novo recorde de distância para a família em seu voo de entrega, cobrindo 7.488 km (4.043 nm) sem escalas, de Natal, Brasil, a Zurique.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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