Emirates diz que ainda pode ter o A330neo, mas faz crítica ao motor

Depois da surpresa do acordo firmado este mês entre a Emirates e a Airbus no Dubai Airshow, em que um antigo pedido de aviões A330neo e A350 foi convertido em um pedido apenas do A350-900, a companhia aérea do golfo afirma que o A330neo não está descartado de seus planos, mas com ressalvas quanto aos motores.

Avião Airbus A330neo A330-900 Emirates
Airbus A330-900neo

“Ainda pode haver um espaço para o Airbus A330neo no plano de frota da Emirates, mas o foco no curto prazo está no A350-900”, disse o presidente da companhia aérea Tim Clark ao FlightGlobal.

Ele também vê a possibilidade de rever a compra do A350-1000, o maior jato bimotor da Airbus, tendo cancelado anteriormente um pedido do modelo.

A Emirates anunciou seu pedido de 50 unidades do A350-900 no show aéreo de Dubai em 18 de novembro, e o presidente do grupo Emirates, Sheikh Ahmed bin Saeed Al Maktoum, explicou que o acordo substituiu seu plano preliminar de 70 aviões, sendo 30 A350 e 40 A330neos.

Mas falando ao FlightGlobal ainda durante o evento de Dubai, Tim Clark disse que acha que o A330neo é “um ótimo avião. Mas quando todos os planejadores se reuniram, acharam que o A350-900 seria uma aposta melhor do que o A330-900: ‘veremos como isso funcionará para nós [no futuro]’.”

Comentando a decisão da Emirates de remover o A330neo do anúncio, o executivo-chefe da Airbus, Guillaume Faury, disse: “A Emirates decidiu entrar em acordo com um contrato firme para os 50 A350. Eles não disseram o que vai acontecer com o A330…Nós o vemos para o futuro.”

Mais uma vez a Rolls-Royce

Tim Clark confirmou que o A330neo continua sendo um potencial candidato futuro para a Emirates, mas como ressalvas quanto aos motores: “Estamos pegando o A350, mas isso não significa que estamos eliminando o A330neo. Então, talvez em 2023/24 ele possa entrar novamente no mix, já que até lá os motores Rolls Royce terão amadurecido e, esperançosamente, eles serão livres de preocupações”.

Ele acrescenta: “As 20 ainda estão por aí (referindo-se à diferença entre os 70 aviões previstos e os 50 confirmados). Podem ser os 787 da Boeing, os A330neos, os A350-1000”.

O próprio presidente da companhia aérea árabe declarou recentemente que está bastante descontente com as fabricantes de motores, em função dos diversos problemas que têm deixado aeronaves fora de operação, e fez uma dura crítica:

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduado em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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