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Emirates e Airbus A380: uma história de amor e ódio

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Imagem: Emirates

Não há dúvidas de que a parceria entre Emirates e Airbus em relação ao super avião de passageiros A380 é um marco significativo na história da aviação comercial.

A companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos, com suas mais de 100 encomendas, é a grande responsável pelo projeto da fabricante europeia não ter sido um enorme fracasso, e o grande jato da fabricante francesa é o principal responsável pelo sucesso da empresa aérea, permitindo seu modelo diferenciado e exclusivo de viagens de altíssimo padrão de qualidade e experiência do usuário, com bar, spa e suítes a bordo.

Mas se a relação entre as duas empresas pode parecer uma incorporação de uma história humana, de amor à primeira vista e casamento duradouro, ela também envolveu momentos de tensão e desavenças típicos de tal relação humana. Relembremos alguns altos e baixos dessa história de amor e ódio.

O começo

Enquanto a Airbus desenvolvia seu revolucionário projeto, cujos estudos foram iniciados e 1988 e oficialmente anunciados em 1990, e finalmente lançado com o nome A380 em 2000, a Emirates começava a se preparar para o desafio do grande avião de dois andares.

Em 2000 a companhia fechou uma encomenda de 12 jatos, sendo dois deles cargueiros, e, no ano seguinte, ampliou com mais 22 unidades, além de outras 10 opções de compra, já se colocando na liderança como maior operadora do novo modelo e dando início à história da parceria. A segunda maior operadora, a Singapore Airlines, teve apenas 24 A380 em sua frota.

Então, na medida em que a entrada em serviço, programada para 2005, aproximava-se e, depois, atrasava-se até 2007 devido a problemas elétricos do projeto, os desentendimentos começaram entre Airbus e Emirates, em sua maior parte gerados por críticas do CEO da companhia aérea, Tim Clark.

Atrasos, sobrepeso e reclamações

Imagem: Roger Green / CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

Após anúncio da Airbus em 2006 de que haveria novo atraso até 2007, com a entrega do primeiro exemplar da Emirates apenas em 2008, Clark não economizou na reclamação, dizendo que aquele era “um problema muito sério para a Emirates” e que a empresa agora estava “revisando todas as suas opções.”

E ainda havia outra questão que gerou desavenças no mesmo ano de 2006. A aeronave era mais pesada do que as previsões de projeto.

Segundo revelou, em 2020, o já aposentado John Leahy, um dos principais representantes de vendas da história da Airbus, dois pontos fizeram com que o modelo ficasse muito mais pesado do que deveria: um deles foi atender a muitos requisitos de companhias aéreas, como o pedido da Singapore Airlines para um avião adequado às restrições ambientais de Londres. Outro, foi o plano de lançar também a versão cargueira do jato. Estes dois aspectos levaram a modificações de projeto que aumentaram o peso vazio.

Assim, Tim Clark comentava em 2006: “Ainda não entramos em acordo com a Airbus no que diz respeito não apenas ao atraso, mas ao fato de estar acima do peso.”

O recomeço

Depois, com o A380 finalmente entrando em serviço comercial em outubro de 2007 pela Singapore e o primeiro da Emirates entregue em julho de 2008, a relação voltou a ser de amor. Não por qualquer solução concreta dos problemas, afinal, o projeto continuou atrasado e mais pesado do que o esperado. Mas sim porque, com tudo isso, as primeiras impressões foram excelentes sobre o jato.

Mesmo com a crise do petróleo em 2008, que aumentou significativamente os custos com combustível para a operação de um grande avião com quatro motores, em 2009 a Emirates comemorava o sucesso da experiência com o A380 ao longo do primeiro ano de uso.

“O A380 de dois andares da Emirates inaugurou uma nova era, evocando as viagens de lazer dos navios de cruzeiro, com um Shower Spa na Primeira Classe, o primeiro para uma companhia aérea comercial e um espaçoso Lounge a bordo para passageiros premium.”, dizia Clark em maio daquele ano.

Shower Spa no Airbus A380 – Imagem: Emirates

Assim, ao longo dos anos subsequentes, a Emirates seguiu ampliando suas encomendas até o total de mais de 140 unidades, mas em uma relação que ainda resultaria em mais alguns desentendimentos ao longo dos últimos anos, entre eles, quando a companhia aérea reclamaria do desempenho dos motores, mas não seria atendida pela Airbus.

O resultado foi o cancelamento de parte das encomendas, resultando no total de 123 unidades que terão sido entregues à Emirates até o final da fabricação do modelo.

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