Emirates já planeja malha sem o Airbus A380

A Emirates, uma das maiores aéreas do mundo e a maior operadora do gigante Airbus A380, está revisando sua malha a medida que a economia mundial “esfria” e o fim do A380 se aproxima.

Nos últimos nove meses a empresa de Dubai vem redesenhando a sua malha para otimizar o perfil da empresa. A companhia tem tido dificuldades em abrir novas rotas lucrativas a medida que a região está com redução no crescimento da sua economia.

“Não estamos crescendo no ritmo que costumávamos ter devido a problemas geopolíticos na região e em outros locais. Porém isso nos deu tempo para ver como será a nossa malha em cinco ou dez anos, e qual tipo de frota irá ser adequada para essa malha” disse Tim Clark, CEO da Emirates

Isso pode mudar o modelo da Emirates que mantém diversas rotas tronco entre hubs como de Dubai para Londres e Nova Iorque. Estas rotas são operadas majoritarimente pelo Airbus A380 e principalmente por um motivo: falta de espaço.

O Aeroporto de Heathrow em Londres já sofre com falta de espaço e ter uma aeronave que leva mais de 500 passageiros para a utilização de único slot é extremamente valioso. O mesmo vale para o Aeroporto de Dubai que já está chegando em sua capacidade máxima e o JFK em Nova Iorque que não tem possibilidade de expansão.

Com a futura retirada do A380 será necessário uma nova malha para não perder os clientes nestas rotas. Uma alternativa (já utilizada pela Emirates) é atender aeroportos secundários como os de Gatwick e Stansted em Londres além do Newark em Nova Jersey, ao lado de Nova Iorque.

Já na ponta da linha a empresa pretende utiliza o Aeroporto de Dubai World Central (que pretende ser o maior aeroporto do mundo) e atualmente opera de maneira parcial. A empresa não citou datas para iniciar a operação com passageiros no novo aeroporto.

Outra ação é através das rotas para os EUA via Europa, utilizando a quinta liberdade do ar. Nestas rotas como o voo diário de A380 para Nova Iorque via Milão e o voo para Newark via Atenas com o Boeing 777, a Emirates comercializa tanto o trecho de Dubai para a Europa, como da Europa para os EUA.

Estes voos tem criado polêmica e ataques por parte da American, United e Delta, que acusam a Emirates de receber benefícios ilícitos do governo árabe principalmente sobre combustíveis fazendo com que a competição seja injusta nestas rotas, além de uma “ilegalidade” por empresa árabe fazer rota comercial entre os EUA e Europa.

Outro ponto da nova malha será uma integração completa com a rede da subsidiária low-cost flydubai.

Com informações do Arabian Business

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos