Conheça a empresa aérea de Donald Trump, que durou 3 anos do glamour à falência

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Imagem: Felix Goetting/GFDL 1.2, via Wikimedia

Muita gente se pergunta o que fará Donald Trump quando seu tempo como presidente dos Estados Unidos chegar ao fim, em 20 de janeiro de 2021. De saída da Casa Branca, embora a contragosto, o magnata precisará pensar qual será o seu próximo grande negócio, e não seria mal recebida (pelos menos para os amantes da aviação) a notícia de que o futuro ex-presidente decida reinvestir em um de seus maiores fracassos empresariais: a Trump Shuttle.

A Trump Shuttle foi uma companhia aérea fundada pelo multiempresário no final da década de 1980. Quando a Eastern Air Lines passou por graves dificuldades financeiras e enfrentou uma série de greves que praticamente paralisou suas atividades, Trump aproveitou para adquirir uma frota de 21 Boeings 727 da empresa a preços muito baixos.

Em 1988, ele contratou funcionários descontentes da companhia e fundou a Trump Shuttle, inicialmente operando de Nova York para Boston e Washington D.C.

De acordo com o portal australiano Traveller.au, possuir a própria companhia aérea era um sonho antigo de Trump. A empresa nasceu com a promessa de ser “o melhor sistema de transporte de qualquer tipo em todo o mundo”.

Ao contrário do serviço modesto e limitado da Eastern Air Lines, e empresário queria oferecer um serviço de luxo, com conforto e requinte dignos dos seus hotéis e cassinos.

Imagem: Felix Goetting/GFDL 1.2, via Wikimedia

Luxo e gastança

Em uma entrevista ao jornal canadense The Globe and Mail, em 2011, Bruce Nobles, ex-diretor da Pan-Am e escolhido por Trump para ser o presidente da Trump Shuttle, disse que Trump pagou US$ 365 milhões pelas aeronaves e os slots de pouso, além de pegar emprestado outros US$ 380 milhões de um consórcio de bancos, e ainda colocou cerca de US$ 20 milhões de seu próprio dinheiro na companhia.

O magnata ainda enfrentou uma série de dificuldades burocráticas e só conseguiu colocar o primeiro avião no ar em 1989, um ano depois da abertura oficial.

A inauguração em Nova York foi com pompa e circunstância, com quarteto de cordas e um coquetel regado a champanhe para recepcionar os passageiros. A bordo, os viajantes encontraram cintos de segurança cromados, divisórias feitas de carvalho e banheiros de mármore falso (o real seria muito pesado para uma aeronave), além um serviço de bordo com buffet de primeira.

As elegantes comissárias de bordo vestiam uniformes lindíssimos, ornados com colares de pérolas russas. Tudo para que os cerca de 70 minutos de voo fossem inesquecíveis.

A ex-miss Estados Unidos Barbara Peterson contou em uma entrevista ao telejornal CNN Traveller que viajar pela Trump Shuttle era ter a certeza que ia encontrar café da manhã com bagel pela manhã e coquetéis de cortesia com refeições embaladas no final do dia, depois ler um jornal e comer um lanche grátis na sala de embarque.

“Mas o que também me lembro em uma viagem de Washington para Nova York é que eu mal estava comendo minha salada Caesar de frango, com champanhe Chardonnay, quando a chamada de ‘preparação para o pouso’ veio da cabine”, lembra a ex-modelo. “A realidade não tão glamorosa é que era um voo de 45 minutos e cerca de 20 desses minutos foram gastos para subir e descer da altitude de cruzeiro”.

Decadência

Apesar do luxo ter chamado a atenção dos consumidores, conquistando rapidamente uma fatia de até 50% nos mercados em que operava, o cenário econômico e as despesas elevadas começaram a pesar na manutenção da companhia.

Voos de alta frequência com duração de 45 minutos, usando aeronaves antigas, eram caros em relação ao consumo de combustível, manutenção e taxas de pouso. Com a eclosão da Guerra do Golfo em 1991 a situação piorou, levada pela disparada do preço do petróleo e, consequentemente, do combustível.

Com a instabilidade econômica, a demanda caiu e os custos aumentaram. Trump demitiu Bruce Nobles e o culpou pelos problemas financeiros da companhia. Decidiu oferecer voos mais longos, que permitissem aos passageiros desfrutar um pouco mais do conforte a bordo, operando para destinos como México, Caribe e Atlantic City.

Os resultados não reverteram a crise. Trump não conseguiu pagar os juros dos empréstimos, que já somavam US$ 1,1 milhão e a companhia foi arrematada pelos bancos. No final de 1991, a transportadora foi vendida para a US Airways e rebatizada como US Air Shuttle um ano depois.

Imagem: Aero Icarus/Wikimedia

Em entrevistas depois da perda da companhia, Trump não admitiu o fracasso e disse que ganhou alguns dólares com a empresa, embora ela tenha dado prejuízo de quase US$ 128 milhões, segundo alguns analistas.

O fato é que ele não mais tentou investir fortemente no setor aéreo. Há quem diga que, entre as tantas surpresas de 2020, o ressurgimento de uma nova Trump Shuttle não seria tão absurdo para o em breve desempregado Donald Trump.

Com informações da Key.aero.

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Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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