Empresa aérea decide ‘canibalizar’ um Airbus A319 por conta própria

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Imagem: Finnair

Frequentemente, vemos a maior parte das companhias aéreas enviando seus aviões para empresas especializadas em desmanche quando eles são retirados de operação, seja pelo fim da vida economicamente útil do equipamento, seja por falta de demanda para continuar operando-os.

Hoje, entretanto, uma empresa aérea europeia informa que dará um fim por conta própria para um dos jatos de sua frota.

A finlandesa Finnair anuncia nesta terça-feira, 16, que pretende desmontar e reciclar uma aeronave Airbus A319, que chegou ao fim de seu ciclo de vida econômico aos 21 anos.

Avião Airbus A319 Finnair
Airbus A319 da Finnair – Imagem: Anna Zvereva / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

O desmantelamento começará no Aeroporto de Helsinque, onde os mecânicos da Finnair removerão as peças que podem ser usadas em outra parte da frota da companhia, processo informalmente conhecido como “canibalizar” o avião. Isso inclui os motores, assentos, trem de pouso e componentes aviônicos.

“Esta é a primeira vez que uma aeronave da Finnair é desmontada e reciclada na Finlândia. Tomamos a decisão de desmontar o avião em nosso hub doméstico para otimizar a sustentabilidade e a economia”, disse Juha Ojala, vice-presidente de operações técnicas da Finnair. “Este projeto nos permite melhorar a eficiência de custos das operações de manutenção e empregar nossos mecânicos durante a pandemia, quando sua carga de trabalho normal diminuiu.”

Antes, as aeronaves da Finnair foram recicladas em outras partes da Europa quando chegaram ao fim de seu ciclo de vida. A maioria das empresas que realizam esse tipo de trabalho está localizada em zonas secas, onde o clima é favorável para o armazenamento de aeronaves por longos períodos. Esta é a primeira vez que uma aeronave comercial será desmontada na Finlândia.

É um projeto incomum para a Finnair, pois é diferente do trabalho normal de manutenção da empresa, principalmente quando se trata de planejamento e gerenciamento de projetos.

As aeronaves têm um limite de serviço máximo pré-determinado, pois a fuselagem só pode lidar com um determinado número de pressurizações. Após isso, deve ser retirada de uso de acordo com as instruções do fabricante.

A reciclabilidade da aeronave e de suas peças é considerada já na fase de projeto. Até 98% das partes podem ser reutilizadas e recicladas em modelos mais modernos, mas em aeronaves mais antigas, como o A319, esse valor é de cerca de 90%.

“Muitas partes do avião que serão desmontadas – como trem de pouso, motores, unidade de potência auxiliar (APU) e aviônica – podem ser utilizadas nas operações de manutenção da Finnair, o que oferece suporte tanto à sustentabilidade quanto à economia”, explica Juha Ojala. “As peças que serão reaproveitadas serão cuidadosamente inspecionadas e revisadas”.

Mãos à obra

Desmontar o A319, que voou 54.710 horas em 32.966 voos em um período de 21 anos, é um grande trabalho, que começa no Aeroporto de Helsinque.

“Vai ser feito em três partes”, diz Timo Rossi, Gerente de Projeto para Operações Técnicas, explicando o processo. “A Finnair vai remover componentes maiores, como asas, motores, trens de pouso, APU. Em seguida, algumas centenas de outras peças serão retiradas para uso eventual em nossa frota ativa.”

Este trabalho é concluído sob as aprovações de manutenção de aeronaves da Parte 145 da regulamentação, um padrão para empresas envolvidas na manutenção de aeronaves.

Uma vez que as remoções dos componentes tenham sido feitas pela equipe da Finnair no Aeroporto de Helsinque, as partes restantes da aeronave serão transportadas para um parceiro externo para posterior desmontagem.

“Calculamos que as remoções de componentes levarão cerca de oito semanas”, diz Timo. “No aeroporto de Helsinque, levará cerca de um dia para separar as asas e a cauda e transportar a aeronave para o local de reciclagem final. O plano atual é começar em meados de fevereiro, com os serviços do nosso parceiro terminando no final de março ou início de abril.”

Informações da Finnair

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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