Empresas querem Boeing 797 com apenas um piloto.

© Collin Throm

De acordo com analistas de mercado, a próxima geração de aviões comerciais da Boeing poderá ser desenhada para levar apenas um piloto no cockpit. Na prática, segundo eles, a figura do copiloto é desnecessária.

Rumores têm ganhado espaço nos últimos meses de que a fabricante norte-americana vai anunciar seu novo avião de médio porte em Junho, durante o Paris Airshow. Embora não haja um nome oficialmente divulgado, as apostas estão em torno do lançamento do Boeing 797. No entanto, planos para uma grande revelação podem ter sido colocados em espera devido aos problemas e fatalidades envolvendo os 737 Max .

Durante as últimas semanas, analistas da consultoria Jefferies conversaram com executivos de empresas aéreas e de companhias de leasing ao redor do mundo para entender o que eles gostariam nessa nova aeronave da Boeing, uma vez que a aeronave nascerá do zero, ou seja, sem base em um projeto já existente.

Dentre as respostas mais citadas, apareceu a sugestão de trabalhar com apenas um piloto a bordo da aeronave. Um segundo piloto estaria baseado no solo e seria responsável por monitorar várias aeronaves ao mesmo tempo. O principal motivador para a sugestão reside na intenção dos executivos de diminuir as folhas de pagamento, economizando milhões de dólares com salários e custos de treinamento.

A nota da Jefferies, divulgada no último domingo, dá conta que ainda não há tecnologia disponível para tal feito, e que levaria cerca de 10 anos para que essa ideia se torne realidade, mas é algo que o mercado já sugestiona à Boeing.

O VP de Pesquisa e Tecnologia da Boeing, Charles Toups, disse em fevereiro que jatos com um piloto provavelmente seriam inicialmente empregados em voos cargueiros e que o roll-out para as operações com passageiros levaria um ‘par de décadas’ até que toda a indústria sinta-se convencida de sua segurança.

A Boeing também antecipou que a ideia por trás do novo jato não é trazer tal nível de ruptura e que a cabine deverá ser desenhada para dois tripulantes. A aeronave deverá ter capacidade para 200 a 250 passageiros, mas uma autonomia de aeronaves maiores. Uma versão plus-size poderia acomodar até 290 pax.

Fora do cockpit, outros inputs dados pelos executivos das empresas foram a necessidade de maior flexibilidade para acomodar os assentos e a possibilidade de instalar assentos que viram cama, para produtos mais premium. Os executivos também sugerem que a aeronave tenha dois corredores.

Não há previsão para entrada em serviço, mas analistas não veem a aeronave voando antes de 2028.

Com informações da CNBC

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.