A enrolada história do Boeing 747 das ilhas São Vicente e Granadinas

Uma pequena companhia aérea regional; um pequeno conjunto de ilhas; e um gigante Boeing 747: a combinação perfeita de uma enrolada história no Caribe!

Boeing 747 São Vicente e Granadinas

A companhia aérea One Caribbean recebeu recentemente uma aeronave Boeing B747-400 de 20 anos de idade, planejando lançar voos sem escala entre sua base no Caribe e destinos ao redor do mundo.

A pequena companhia aérea regional é baseado no Aeroporto Internacional de Argyle, na nação insular de São Vicente e Granadinas. Opera apenas um Beech 1900D principalmente para voos fretados, tendo licença para voar rotas entre São Vicente, Bridgetown e as Ilhas Virgens Britânicas.

Googla Maps São Vicente e Granadinas

E no que parece ser uma tentativa corajosa de expandir suas operações, a One Caribbean recebeu um 747 ex-China Airlines em maio deste ano. O Jumbo até ganhou as boas vindas com jatos de água! Veja o pouso do imponente jato no vídeo abaixo!

O Boeing 747 de registro N508BB foi transladado de Phoenix, nos Estados Unidos, para o aeroporto de Argyle em 24 de maio. Apesar do avião não ter voado desde que chegou a São Vicente, uma área já está sendo preparada no aeroporto para a construção de seu hangar.

O aeroporto é uma nova porta de entrada para São Vicente e Granadinas. Foi inaugurado em 2017, e agora conta com 55 partidas programadas semanalmente, das quais 49 são voos locais e os demais são operados pela Caribbean Airlines, American Airlines e Air Canada.

Argyle Airport São Vicente e Granadinas
Aeroporto Internacional de Argyle

A companhia aérea já até solicitou ao Departamento de Transporte dos EUA uma Licença de Companhia de Transporte Aéreo Estrangeira, com intenções de lançar voos para os EUA e, pretende fazer voos sem escalas para os Emirados Árabes Unidos.

Tudo parece ir muito bem até aqui, não é mesmo. Só parece.

Segundo informou o site One Mile at a Time, o 747 está no local “por várias semanas”, enquanto seus proprietários fazem lobby junto à Autoridade de Aviação Civil do Caribe Oriental (ECCAA) para registrar o avião em São Vicente.

Apesar de possuir o certificado de operador aéreo, os planos da One Caribbean de diversificar a frota ficaram travados devido à apreensão da ECCAA sobre o registro do Jumbo.

De acordo com o site, a ECCAA reconhece que a aeronave está “fisicamente em São Vicente e está programada para ter seu registro transferido”. No entanto, a autoridade também admite que ainda não registrou o Boeing 747 porque está trabalhando com cuidado.

A ECCAA tem um “trauma” recente com problemas associados ao seu registro, em 1998, de um DC-10 para a extinta operadora Skyjet. Apesar da adição do DC-10 ao registro nas ilhas de Antígua e Barbuda, a aeronave ficou baseada na Bélgica e era alugada a outras companhias.

Quatro anos depois, a FAA decidiu que este modelo de operação violava seus protocolos. Em consequência, a FAA retirou a ECCAA da sua lista de autoridades da Categoria 1. Com isso em mente, desta vez a ECCAA está adotando uma “abordagem em duas etapas” para registrar o 747-400 de São Vicente.

“Estamos discutindo todo o plano com a FAA”, disse o comandante Paul Delisle, inspetor de operações de voo da ECCAA. “Queremos a concordância com a FAA em todos os assuntos relacionados à potencial certificação do N508BB.” Na etapa dois, a ECCAA planeja empregar inspetores adequadamente treinados para certificar a aeronave.

Se os planos da One Caribbean de voar entre São Vicente e Dubai se concretizarem, a nação insular poderá experimentar uma grande reviravolta nas fortunas gastas por turistas em seu território.

Informações pelo Simple Flying.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.