Entenda o que é e como se evita um evento de Incursão em Pista de aeroporto

Um assunto bastante importante no dia a dia das operações de um aeroporto são os eventos de Incursão em Pista (runway incursion), que se constituem como cenários de alta criticidade, nos quais os níveis aceitáveis de segurança operacional se reduzem drasticamente, podendo, consequentemente, acarretar incidentes ou acidentes aeronáuticos graves.

Nesta matéria, você confere alguns conceitos básicos relacionados à Incursão em Pista para ter ciência de como preveni-la nas operações, segundo informações da INFRACEA, empresa brasileira especializada em Certificação, Administração e Operação Aeroportuária.

Entendendo a Incursão em Pista

Inicialmente, vale destacar que a invasão de uma pessoa ou veículo no sítio aeroportuário, em uma pista de táxi ou no pátio, embora sejam ocorrências que possam afetar a segurança operacional, não se configuram como Incursão em Pista.

O que é Incursão em Pista, segundo o RBAC 153?

Incursão em Pista é toda ocorrência em aeródromo envolvendo a presença incorreta de aeronave, veículo ou pessoa na área protegida de uma superfície designada para pouso e decolagem de aeronaves. ATENÇÃO! A definição não inclui animais nem objetos.

Outro conceito importante a ser recordado, citado na definição de Incursão em Pista, é o de área protegida.

O que é Área Protegida?

A INFRACEA descreve que, de acordo com o RBAC 153, área protegia é a área que compreende a pista de pouso e decolagem, o comprimento da faixa de pista, a área em ambos os lados da pista de pouso e decolagem delimitada pela distância estabelecida pelo RBAC 154 para a posição de espera da referida pista, a área de segurança fim de pista (RESA – Runway End Safety Area) e, se existir, a zona de parada (stopwaySWY).

DICA: uma Incursão em Pista se caracteriza por dois parâmetros: Presença incorreta e Área protegida. É necessário que ocorram as duas condições em simultâneo para que a ocorrência seja classificada como incursão em pista.

Por isso, a INFRACEA como operador de aeródromo treina os colaboradores do segmento operacional a serem capazes de identificar corretamente esses dois parâmetros envolvidos em evento de incursão em pista. Para melhor entendimento, a figura abaixo mostra como a área protegida (em amarelo) deve ser definida para o exemplo de pista de pouso e decolagem representado.

Imagem: Infracea

É necessário observar que os limites laterais da área protegida são definidos pela distância da posição de espera e não pela largura da faixa de pista, da RESA ou da clearwayCWY. Abaixo segue a Tabela C-6 para consulta das distâncias dos limites laterais da posição de espera:

Imagem: Infracea

Sinalização da área protegida

Em alguns aeródromos, como é o caso do Aeroporto Dix-Sept Rosado, de Mossoró/RN, administrado pela INFRACEA, a área protegida é sinalizada com tubos PVC (figura abaixo) em toda a sua extensão e em ambos os lados da pista. Essa sinalização possui faixas refletivas para visualização noturna.

ATENÇÃO! Não pode ser utilizada uma estrutura que não seja frangível (facilmente quebrável).

Imagem: Infracea

Fatores Contribuintes

Normalmente, as incursões em pista têm múltiplos fatores contribuintes que podem envolver atitudes de pilotos, controladores de tráfego, motoristas ou pedestres. Alguns desvios que podem contribuir para incursões em pista de pouso e decolagem incluem:

✈ Falhas em seguir a autorização ou instrução;

✈ Falhas em seguir os procedimentos;

✈ Divulgação de uma autorização, instrução ou procedimentos incorretos;

✈ Seguir uma autorização, instrução ou procedimento incorretos;

✈ Perda de consciência situacional;

✈ Falta de uso da fraseologia nas comunicações;

✈ Pouco conhecimento do aeródromo;

✈ Uso de procedimentos inadequados ou inapropriados;

✈ Sinalizações do aeródromo inadequadas ou confusas;

✈ Layout do sistema de pistas de táxi.

Considerações Finais

É extremamente importante ter o máximo de cautela e atenção quando se realiza qualquer tipo de ingresso e permanência na área protegida de um aeródromo, além de seguir estritamente os procedimentos descritos no Manual de Operações (MOPS).

Só assim é possível garantir os níveis aceitáveis de segurança operacional, bem como reduzir a probabilidade de Incursão em Pista e, assim, evitar acidentes ou incidentes aeronáuticos decorrentes deste evento.

Informações da INFRACEA

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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