Entenda por que os Boeings 777X da Emirates estão com pesos em suas asas

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© PaineAirport

O primeiro e segundo jatos 777X da Emirates surgiram na fábrica da Boeing nessa semana, mas algo chamou a atenção nas imagens: os pesos amarrados nas suas asas. O fato curioso foi notado tanto no primeiro 777-9X de matrícula A6-EZA como no segundo, o A6-EZB. São pesos amarelos, presos onde deveriam ficar os motores da aeronave.

De início pode parecer óbvio que o peso está ali para compensar a falta do motor, que no caso do 777X tem sofrido com alguns atrasos por parte da General Eletric, fabricante do GE9X, o enorme motor de 3,4 metros de diâmetro que equipa o maior avião bimotor do mundo. Por conta disso, os aviões saem da linha de montagem antes dos motores chegarem.

No entanto, indo mais a fundo para entender a dinâmica por trás destes pesos, conversamos com dois engenheiros, um da Boeing e outro de uma outra fabricante, que preferiram não se identificar. Ambos trabalham na linha comercial das empresas, respectivamente com o 787 e com outro jato comercial.

A resposta inicial foi uma só: os pesos, chamados de dummy engines weight (ou pesos postiços dos motores), são utilizados para manter o CG da aeronave, que é o Centro de Gravidade, no seu devido lugar até a colocação dos motores.

Este BAe-146 teve seus motores retirados, o que modificou seu CG e fez com que batesse a cauda © YSSYguy

O CG é um ponto de referência das forças gravitacionais da aeronave, sendo sempre necessário ele estar em equilíbrio, seja em solo ou em voo, a fim de manter a estabilidade do avião.

No caso do 777X, a falta dos grandes motores GE9X faz com que esse CG fique mais atrás na fuselagem, o que pode ocasionar a batida de cauda, como na imagem acima, pelo fato da seção traseira estar mais pesada do que a dianteira.

Um outro ponto levantado pelo engenheiro do 787 seria uma necessidade de força para a própria asa. Segundo ele nos explicou, o dummy weight é necessário para manter o “formato” da asa, algo que o outro engenheiro desconhecia. No 737 MAX, conforme foto acima, o dummy pesa 3,6 toneladas cada.

Em algumas aeronaves pode ser usado um outro recurso para evitar esta batida da cauda. É basicamente um suporte ou tripé que fica preso na parte inferior de seção traseira da aeronave (podendo ser pressionado contra o solo) para evitar que o avião fique de nariz para cima com a mudança do CG. É comum durante o processo de embarque/desembarque em certas situações e/ou modelos de avião.

Algumas aeronaves que contam com isso são o Cessna C208 Caravan, os ATR 42 e 72, o Boeing 737-800/900 (foto acima), os Douglas DC-10, além das variantes de carga e Combi do Jumbo 747.

No caso, durante o processo de fabricação se utiliza apenas os dummy weights, sem alguma barra para apoiar, sendo que esta visa mais a evitar que a aeronave “empine” com ventos fortes.

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Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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