Esse Boeing 747-8I poderá nunca ser entregue a uma empresa aérea

Desde o início de sua produção em 2008, cerca de 145 Boeing 747-8 foram construídos, mas a baixa demanda por aeronaves quadrimotores parece sinalizar que seu fim está mais próximo do que nunca, já que restam apenas cerca de 10 unidades por produzir. De todos esses, um avião de apenas 5 anos de idade parece ter um fim pouco glamuroso; quem é ele?

Foto de Jennifer Schuld

Primeiro, vamos dar um zoom para contextualizar.

Dessas 145 unidades produzidas, apenas 49 aeronaves pertencem à variante de passageiros, o B747-8I, e todas as demais são cargueiras. Das unidades de passageiros, 8 foram entregues como aeronaves de governo e as 41 aeronaves restantes para feitas para atender às encomendas de poucas empresas aéreas ao redor do mundo.

Destas, a Lufthansa foi a que mais solicitou aeronaves, com um total de 20. Porém, até hoje, a alemã recebeu apenas 19 unidades e espera-se que não receba mais. Então, onde está a número 20? Uma rápida pesquisa nos mostra que ela está armazenada no deserto. Mas como ele chegou lá é uma história com algumas variáveis a mais.

Onde está o avião?

Atualmente, esta aeronave possui a matrícula N828BA e está armazenada em Victorville, na Califórnia, desde 15 de junho de 2018. Anteriormente, ela estava na base aérea de San Antonio, onde ficou entre março e junho de 2018 e, antes disso, havia sido estocada em outro deserto, o de Marana, desde maio de 2015.

O avião tem o número de série 1435 e foi produzido em dezembro de 2014, sendo a segunda aeronave do modelo B747-8I construída. Essa unidade foi largamente usada pela Boeing para os voos de certificação da variante; porém com um menor nível de exigência sobre a célula, já que os testes mais pesados foram feitos com aeronaves da variante cargueira. Isso é comum, já que ao compartilhar uma grande parte dos componentes entre as versões pax e cargo, os testes da versão de passageiros foram bastante reduzidos no caso do 747-8.

Deveria ter sido outro 747-8 alemão

Após os voos de teste, o avião deveria ser entregue à Lufthansa, outro procedimento usual. Normalmente, essas unidades de teste são entregues às companhias aéreas (ou governos) a um preço reduzido, previamente acordado, devido ao desgaste causado. O mais normal nessas unidades é que elas sejam entregues com novos motores e com algumas peças trocadas.

No caso desta unidade, a Lufthansa a incorporaria em sua frota sob a matrícula D-ABYE e ela até foi pintada com as cores básicas da companhia aérea, cores que ela ainda hoje mantém. Mas, após algum tempo, a empresa alemã declarou a aeronave como NTU (não aceita) por razões nunca esclarecidas oficialmente.

No entanto, isso parece não ter nada a ver com a aeronavegabilidade da aeronave, já que ela está disponível para compradores, além de ser muito nova e pouco voada, ainda que tenha sido usada em baterias de testes da fabricante. Mas isso não parece atrair compradores, já que as empresas aéreas estão deixando, gradativamente, de voar com quadrirreatores por seu alto consumo, em comparação com os bimotores mais modernos.

Portanto, quanto a esta unidade, é provável que ela não voe novamente sob as cores de uma companhia aérea. Com muita sorte, ele poderá voltar a voar para algum governo ou como avião executivo.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.

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