Este deve ser o fim da linha para os Boeing 737-700 da GOL

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Quando anunciou seus resultados trimestrais na semana passada, a GOL Linhas Aéreas Inteligentes divulgou uma grande quantidade de informações sobre seus planos futuros, acordos com a Boeing e manutenção de aeronaves em sua frota. Uma dessas novidades chamou bastante a atenção.

Como resposta à pandemia da covid-19, que vem varrendo o setor aéreo mundo afora, a empresa aérea tomou algumas decisões relacionadas ao seu tamanho, haja vista que o “rebote” do pós-crise deve demorar anos e a demanda por viagens não deve reaquecer tão cedo.

Desta maneira, além de cancelar e postergar entregas dos Boeing 737 MAX, a empresa também espera reduzir uma parte do que já tem. E, nesse pacote de despedidas, podem estar os seus vinte e três 737-700.

Frota de aeronaves

No final do primeiro trimestre de 2020, a diminuição na quantidade de aeronaves estava na casa de 6% em relação ao final de 2019, ou seja, de 137 para 131 aeronaves. A variação pequena mostra que, naquele momento, a aviação ainda não havia sido fortemente afetada pelo surto do coronavírus no Brasil.

Os números de abril e do segundo semestre, quando divulgados, darão uma visão melhor sobre qual forma que a frota deve tomar quando a pandemia reduzir sua velocidade de disseminação e os voos voltarem aos céus.

Com diversos contratos de leasing vencendo nesse ano e no próximo, a empresa tem flexibilidade de se desfazer de aviões menos eficientes no curto prazo.

Possível adeus ao 737-700

“Com sete aeronaves 737-800 retornando no 1T20 (as que foram arrendadas da Transavia e outras empresas) e outras previstas mais adiante, a GOL planeja devolver um total de 18 aeronaves em 2020 e pode retornar até 30 aeronaves em 2021-22. Dada a demanda mais suave esperada e a necessidade de custos menores por quilômetro / assento, a companhia está avaliando atualmente uma redução de frota focada em seus vinte e três Boeing 737-700 (15% do total de assentos)”, disse a empresa na conferência com investidores.

De acordo com o Aeromuseu, os 737-700 da GOL têm, em média, 16,5 anos. Um pertence à transportadora e os 22 restantes são arrendados de empresas de leasing.

A companhia aérea emprega essa, que é sua menor aeronave, em rotas domésticas, baseando-as principalmente em Guarulhos, Congonhas, Brasília, Santos Dumont e Belo Horizonte. A única rota internacional operada com o tipo é de São Paulo para Assunção, no Paraguai.

Voos por dia

Em linha com a redução na quantidade de aeronaves, o número de voos por dia teve uma redução de 7%, saindo dos 742 voos diários no quatro trimestre de 2019 para 692 até 31 de março.

Essa média reflete o início das medidas restritivas adotadas pelos governos estaduais, mas ainda não refletia a queda a 50 voos por dia adotada junto com a “malha essencial” adotada em abril. Para maio, a empresa também espera operar com uma malha muito reduzida, como mostramos aqui, a qual representa algo em torno de 6% de sua malha de antes do surto do vírus.

Com essas reduções, naturalmente, também baixam os indicadores de ASK (Assentos Disponíveis por Quilômetro) e RPK (Passageiros Pagantes por Quilômetro), que caíram 6% e 8%, respectivamente.

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Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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